Salvador – A um ano das eleições de 2010, começa a surgir na Bahia um movimento que propõe uma nova postura para os negros do Brasil: a passagem da condição de apenas eleitores para a posição de também serem votados.
Quem defende essa nova forma de protagonismo dos negros – que representam 50,6% da população brasileira, segundo a última PNAD – é o advogado e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), João Jorge Rodrigues, o presidente do Olodum.
Referência internacional
O Bloco tornou-se uma referência nacional e internacional, não apenas pela atuação no carnaval, mas também por ter sido o berço da Escola e do Bando de Teatro, responsável pelo surgimento de uma nova safra de atores negros para o Teatro e a Televisão, dos quais o mais destacado é Lázaro Ramos. (Na foto, de Wilson Besnosik/Agência A Tarde/AE, Michael Jackson, o rei do Pop, morto em junho, durante gravação de videoclipe, no Pelourinho, em 1996).
“A hora é agora. Nós temos sido historicamente eleitores. Agora é a hora de agente também ser eleito”, afirma Jorge, que já anunciou o afastamento formal das atividades do Olodum no ano que vem e filiou-se no mês passado ao Partido Verde (PV), da senadora Marina Silva, que deixou o PT depois de 30 anos, para ser candidata à Presidência da República.
Câmara ou Senado
Segundo João Jorge – que já colocou seu nome à disposição para ser candidato à Câmara Federal ou ao Senado pela Bahia – a discussão aberta pela presença da senadora na disputa criou as condições para essa nova forma de protagonismo que pretende fazer com que os negros brasileiros – que tem permanecido passivos e divididos em guerrilhas entre si – assumam a condição de sujeitos políticos ativos.”
“A Marina é uma alternativa interessante. Mulher negra, nortista e com um programa que defende um modelo ambientalmente sustentável para o país. O mundo está pedindo isso e o Brasil não tem como ficar de fora”, afirmou João Jorge.
A hora é agora
Segundo ele, as eleições do ano que vem – as mais importantes, porque apenas os cargos de prefeito e vereadores não estarão em disputa – serão uma oportunidade, para o lançamento desse movimento que não se resume ao próximo ano.
“É preciso que, do Movimento Negro surja um setor responsável, capaz de chegar ao poder. Nós, a população negra, não estamos em lugar nenhum. E preciso começar a se preparar já para as eleições de 2010, 2012, 2016. Vamos ampliar nossa caixa de som, nossa radiola. A questão não é só nossa. E da sociedade junto conosco enfrentar e superar o impasse criado por séculos de racismo e discriminação”, afirmou.
Para João Jorge, o momento agora não é mais de discutir programas de Governo, mas um Programa de Estado, “que tenha a ver com a sustentabilidade do meio ambiente humano em que vivemos, comprometido com a inclusão de todos nos espaços da cidadania e com a valorização da diversidade humana”.
A meta é ambiciosa. “Queremos chegar ao Poder em grandes Estados, em grandes municípios e começar a mudar a agenda do país, uma agenda que nos inclua verdadeiramente”, concluiu.

Da Redacao