Rio – Ser negro ou negra no Brasil significa correr maior risco de passar fome é o que mostra a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem. Mais da metade da população preta ou parda (52,35) residia em domicílios sob o risco de conviver com a fome em 2.004, contra 28,1% dos brancos.
No total, as 87,4 milhões de pessoas que se declaram pretas ou pardas, nada menos que 45,6 milhões estavam sujeitas à insegurança alimentar em maior ou menor grau, na sua maioria concentrada na região Nordeste, onde quase metade dos pardos e pretos sofreram com o problema – 48,8, ou 22,3 milhões de pessoas. Em 2004, 93,6 milhões de pessoas se declaram brancas, das quais 26,3% relataram situação de insegurança alimentar.
O IBGE apurou ainda na pesquisa que 10,1 milhões de pretos e pardos (11,5%) das pessoas pretas e pardas passavam fome em 2.004, ou seja viviam em situação de insegurança alimentar grave, sendo que os negros representavam 72,4% do contingente total de pessoas residentes em domicílios onde a fome existia com maior gravidade.
Na população de 182,1 milhões de pessoas no país, 51,4% eram brancas, 48% pretas ou pardas e 0,6% de cor amarela (indígenas e asiáticos) ou outras. “Esses dados mostram a reprodução da discriminação e da desigualdade na sociedade brasileira”, disse Lena Lavinas, economista do Instituto de Economia da UFRJ.
Essa desigualdade, segundo a economista, afeta também as mulheres e a população mais jovem. De acordo com a pesquisa do IBGE, em 22,9% dos lares chefiados por mulheres estava presente a insegurança alimentar moderada ou grave – categorias nas quais pode haver restrição de alimentos ou se evidenciou a fome. Nos domicílios cujo morador de referência era homem, o percentual se situava em 17,3%.
O secretário de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério de Desenvolvimento Social, Rômulo Paes, disse que o perfil da desigualdade já era conhecido de outras pesquisas, atingindo mais pretos e pardos, mulheres e pessoas mais jovens –neste caso porque os mais pobres têm uma taxa de fecundidade maior. O que o levantamento permite, acrescenta, é quantificar e mensurar o número de pessoas que são mais vulneráveis e, a partir daí, promover uma melhor gestão dos programas sociais.

Da Redacao