Há uma nova matéria
Na universidade da vida
Aparenta tratar coisas sérias
Mas traz a vaidade enrustida
Tenha dó, professor!
Essa já é matéria vencida
Se promover em cima da cor
Fazer da minha raça, o seu meio de vida.
Se vender a um sistema
Por um aparente poder
Usar-me como seu tema
Para o seu ego sobreviver
Nossa cor é essência
Símbolo da nossa resistência
Que desde os primórdios
Mantém viva a nossa consciência
A academia da vaidade
Transformou-lhe num fantoche
Sua oratória é na verdade
Uma aula de deboche
As cordas do poder te manipulam
Como se fosse uma marionete
Suas convicções logo se anulam
Perante os poderosos você se derrete
Você não é bem-vindo
No palácio, é apenas um enfeite
O banquete está servido
Mas não é para o seu deleite
Sua posição acadêmica
Cegou-lhe a militância
Suas motivações são endêmicas
Me indignam e me dão ânsia
Acorda professor! Já tocou o sinal
A sua aula já acabou
Acabou com a nossa paciência
Pois negro não é ciência

Luiz de Jesus