Fiquei muito feliz com declaração do ministro Carlos Alberto Reis de Paula, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), defendendo a criação de cotas para negros nas empresas privadas. É uma medida excelente. E a posição do ministro é um grande reforço no empenho que a UGT (União Geral dos Trabalhadores) e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo vêm fazendo há muito para incluir o negro cada vez mais no mercado de trabalho.

As duas entidades que eu presido, junto com meus companheiros de diretoria, foram as primeiras a debater a inclusão do negro nas empresas privadas. E tivemos sucesso em maio de 2004. O Sindicato dos Comerciários foi o pioneiro a conseguir cotas numa empresa privada. E esse acordo entrou na Convenção Coletiva de Trabalho.

A Camisaria Colombo reservou 20% de suas vagas para pessoas de cor negra, ou seja, 80 de 400 postos de trabalho, conforme acordo firmado com o Sindicato da capital paulista. Na época, afirmei que São Paulo estava sendo um exemplo para todo o Brasil. E que os demais Sindicatos deveriam incluir nas Convenções esse tipo de cláusula, como nós fizemos.

Depois desse primeiro passo, as cotas para os negros já chegaram às universidades. E, agora, há quem defenda que os negros tenham postos reservados no Congresso Nacional e também integrem o serviço público. Tenho a certeza absoluta que o nosso País só tem a ganhar com essas medidas.

Nada mais justo

O negro, infelizmente, ainda ganha menos, cerca de 30% do que os demais trabalhadores. As mulheres negras, então, são ainda mais injustiçadas. Com certeza, o nosso País avançou bastante nessa questão. Mas ainda temos outro problema, que afeta todos os trabalhadores: a alta concentração de renda no Brasil, uma das maiores do mundo.

As palavras do ministro Carlos Alberto Reis de Paula devem ser reproduzidas e ampliadas por outras pessoas que ocupam cargos de destaque na sociedade. Elas são um exemplo acabado de cidadania. Sabemos que no esporte, em muitos setores da música, e na televisão, os negros são valorizados.

Mas nós queremos que todo o mercado de trabalho abra espaço para que negros e pobres possam mostrar suas habilidades, ganhar salários equivalentes aos dos demais trabalhadores, sem nenhum tipo de distinção. Em pleno século 21, em plena globalização, é o mínimo que nossa sociedade pode fazer.

P.S. O artigo foi originalmente postado no site do Sindicato dos Comerciários de S. Paulo.

Ricardo Patah