Brasília – A maior parte dos militantes negros que combateram o regime militar, ainda vivos, tem tido dificuldades de acesso aos benefícios da Lei da Anistia e há a necessidade da realização de uma edição da Caravana da Anistia, como as que vem sendo promovidas por iniciativa da Comissão da Anistia, para identificá-los e garantir o acesso aos direitos.
A denúncia, seguida da proposta, foi feita neste sábado (27/06), no terceiro dia da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, pela secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da Prefeitura do Recife, Amparo Araújo, durante a cerimônia de entrega de um painel acrílico com os nomes de 40 militantes negros que morreram na luta contra o regime militar (1964-1985).
Participaram do ato o secretário Adjunto da Seppir, Elói Ferreira Araújo, que pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas, e o Adjunto da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Rogério Sotilli. A homenagem é parte do Projeto “Direito à Memória e à Verdade”, coordenado pela jornalista Vera Rota. “Só recuperando esse período da história é que podemos evitar que isso se repita. Também é importante porque mostra a participação fantástica dos negros na luta de resistência”, afirmou Rota.
Emoção
A cerimônia foi aberta com a leitura de um texto de saudação aos “herdeiros de João Cândido que atravessaram o Atlântico e que morreram lutando pela liberdade” pelo jornalista Fausto José, e com a música Mestre Sala dos Mares, de João Bosco e Aldir Blanc, cantada pelos presentes em clima de muita emoção.
Amparo Araújo é viúva de Luiz José da Cunha, o comandante “Crioulo”, que morreu em combate e figurou durante anos na lista de desaparecidos, um dos homenageados. Os despojos do líder guerrilheiro foram entregues à família há apenas dois anos.
“Esse evento é revolucionário porque é o início do resgate aos mártires negros”, afirmou Ivair Augusto dos Santos, secretário executivo do Conselho Nacional de Combate à Discriminação da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Segundo a viúva de “Crioulo” a Anistia ainda está para chegar a centenas de militantes negros que sobreviveram à luta contra o regime. “Poucos negros que foram presos até o momento puderam acessar a Lei da Anistia, principalmente aqueles que não participaram da luta armada”, afirmou.
Ela acrescentou que o fato de não terem participado da luta armada não significa que não tenham muitos deles passado por humilhações, maus tratos e torturas nos cárceres, além de perseguições de toda a ordem, inclusive a perda de emprego”. As Caravanas da Anistia estão sendo promovidas pela Comissão da Anistia para identificar e iniciar os procedimentos para reconhecimento de direitos.
Entre os líderes homenageados estão, além de Luiz José da Cunha, Carlos Marighela – filho de mãe negra – e Dinalva Oliveira Teixeira, morta durante a Guerrilha do Araguaia promovida pelo PC do B e ainda desaparecida.
Veja o Jornal II CONAPIR – 27/06/2009 – na TV Afropress

Da Redacao