Aracaju – Discriminação racial, perseguição religiosa e toda sorte de abusos praticados por policiais, especialmente, da Companhia de Choque da Polícia Militar de Sergipe, viraram rotina para os negros da comunidade Maloca, no bairro Getúlio Vargas e adjacências, em Aracaju, segundo denúncia feita ao presidente da Seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SE), Henri Clay Andrade.
Segundo Luiz Bonfim, líder da comunidade negra e também ativista do movimento dos direitos humanos há 25 anos, o clima de perseguição tornou-se insuportável. “Até no Ministério Público policiais me confundiram com bandido, só porque sou negro”, revelou. “Aqui os adolescentes inocentes são presos e algemados, atitudes que têm nos assustado bastante”, acrescentou.
O presidente da Seccional sergipana da OAB colocou a estrutura da instituição à disposição da comunidade para buscar alternativas de políticas de combate à discriminação e ao racismo. “Precisamos nos aliançar para combater e romper essa estrutura perversa, que é histórica”, enfatizou.
Ele propôs uma parceria de resistência, com a criação de um Comitê Permanente de Combate ao Abuso e à Discriminação para formalizar denúncias e buscar meios que tranqüilizem essas comunidades. Paralelamente, a OAB-SE buscará entendimentos com o governo do Estado para promover cursos de relações humanas, tendo em seu conteúdo a história da população negra.
“Por sua tradição histórica, a OAB tem vontade de contribuir com esse movimento e precisamos combater esses abusos de forma coletiva, com criatividade e inteligência”, finalizou.

Da Redacao