Brasília – Mesmo com todos os avanços recentes na área da Educação, a população negra continua carregando um atraso de 40 anos de desvantagem em relação aos brancos. Segundo Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2.005 – Racismo, Pobreza e Violência do PNUD, o percentual de homens negros que tinham concluído o ensino superior em 2.000 (2,7%) era menor que a de homens brancos em 1.960 (3%).
A situação de desigualdade não é restrita aos homens. Embora tenha crescido o ingresso de mulheres nas empresas e nos postos de chefia nos anos recentes, a proporção de brancas e negras no ensino superior se manteve desigual. Em 2.000 as mulheres brancas eram as mais preparadas para o mercado de trabalho: 12% delas tinham terminado o curso superior, enquanto que as negras com o mesmo nível de ensino eram de apenas 3,1%.
Os avanços na Universidade nos anos recentes tampouco se refletiram na redução das desigualdades, de acordo com o Relatório do PNUD. Em 1.995, apenas 2,9% dos negros de 40 a 49 anos, no Brasil, tinham diploma de ensino superior.
Só para se ter uma idéia, nesse mesmo ano, na África do Sul, o índice era de 2,2%. Como o regime do apartheid naquele país só terminou em 1.994, o Relatório conclui que o sistema universitário no regime do apartheid foi capaz de produzir, para a população negra, resultados muito semelhantes aos do sistema educacional supostamente integrado, aberto, universalista e racialmente democrático do Brasil.
O PNUD propõe como uma das formas para mudar o quadro de desigualdades na Educação, políticas públicas focalizadas como as cotas, baseadas nos princípios das ações afirmativas. Essas medidas, de acordo com o Relatório buscam a implantação da diversidade e a ampliação da representatividade dos grupos minoritários nos diversos setores, e pretendem, no longo prazo, induzir transformações de ordem cultural, pedagógica e psicológica visando tirar do imaginário coletivo a idéia de supremacia racial e eliminar os efeitos persistentes da discriminação do passado, que tendem a se perpetuar.
Segundo o PNUD, entretanto, a política de cotas é apenas uma das formas de implementação das ações afirmativas e não podem ser aplicadas de forma a reduzir o debate sobre a identidade racial no país apenas a uma questão numérica de acesso.

Da Redacao