Brasília – Francisca Paula de Jesus, a Nhá Chica, é a primeira negra a ser declarada beata pela Igreja Católica no Brasil. Nhá Chica nasceu no Distrito de Santo Antonio do Rio das Mortes, em S. João Del Rey, Minas Gerais, em 1.810, e foi morar em Baependi ainda pequena com a mãe, uma escrava e o irmão Antonio. A Igreja Católica praticou a escravidão em larga escala. Ela morreu em 1.895, sete anos após a abolição da escravidão. Apesar de negra, as imagens mostram curiosamente a beata com traços europeus.

A solenidade foi realizada neste sábado (04/05) no município mineiro, que fica a 400 Km de Belo Horizonte e a missa de consagração rezada no Santuário Nossa Senhora da Conceição, onde estão os restos mortais da nova beata, contou com a presença do governador de Minas, Antonio Anastasia, o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, representando a presidente Dilma, e autoridades do Vaticano. O decreto de beatificação foi assinado pelo Papa Bento XVI em junho de 2012.

A comissão de beatificação de Nhá Chica começou os trabalhos 1989. Em 1991, o Vaticano deu a ela o título de Serva de Deus. O primeiro registro de milagre foi feito em 1995, por uma professora que diz ter sido curada de um problema congênito do coração na véspera de fazer a cirurgia.

Em 2011, o papa Bento XVI aprovou as virtudes da religiosa e deu-lhe o título de Venerável. A comissão médica da Congregação das Causas dos Santos do Vaticano aprovou o milagre em outubro de 2011, concordando que não havia explicação científica para a cura da professora. A comissão de cardeais também confirmou o milagre em 2012.

Em nota divulgada ontem (03/05), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacou que a beatificação de Nhá Chica tem um significado muito importante para a Igreja. Filha e neta de escravos, a beata era analfabeta e ficou órfã ainda na infância. Devota de Nossa Senhora da Conceição, viveu na pobreza e na simplicidade, e dedicou sua vida para servir as pessoas, especialmente na tarefa de escutar e aconselhar. Seu cuidado com os mais pobres rendeu-lhe o título de “Mãe dos pobres”.

Da Redacao