A presença da mais importante autoridade africana no Brasil, o presidente da República Federal da Nigéria, Olesegun Obassanjo, é ignorada pela mídia convencional.
Olesegun Obassanjo, presidente da Nigéria eleito e reeleito democraticamente pelo voto direto para o seu segundo mandato como comandante do país mais populoso do Continente Africano, com mais de 138 milhões de habitantes e também atual presidente da União Africana que reúne a maioria dos países daquela parte do mundo,
desembarcou dia 6 no Brasil com seu elegante Abadá e com passos firmes e determinados para uma visita oficial de três dias ao nosso país, esperando que a partir desta sua nova presença em solo brasileiro, o nosso governo que sempre tratou com menosprezo as relações com o mundo africano mude radicalmente a sua política em relação ao mundo negro, dando maior dimensão e atenção aos problemas comuns dos países terceiro-mundistas.
Em sua chegada a Brasília, a autoridade maior nigeriana visitou o Supremo Tribunal Federal, onde dialogou com o presidente da instituição, ministro Nelson Jobim e foi recebido na porta principal do Palácio do Planalto pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, após passar em revista a tropa militar formada em sua homenagem na entrada da sede do governo brasileiro. No Palácio do Planalto, Olesegun Obassanjo, após reunião de trabalho com o presidente brasileiro assinou com o presidente Lula importantes acordos de interesse mútuo para os dois países, destacando-se o de isenção de Vistos para os portadores de Passaportes Diplomáticos, Oficiais e de Serviços; sobre serviços aéreos entre os dois países, restabelecendo a linha Brasil/Nigéria/Brasil operada anos atrás por uma empresa aérea brasileira; tratado de Assistência Jurídica Mútua em matéria Penal; ajuste complementar ao Acordo Básico de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para implementação do Projeto de Produção e Processamento Agro Industrial de Mandioca na Nigéria; sobre o combate e produção ilícita, consumo e tráfico de drogas e substâncias psicotrópicas e lavagem de dinheiro; ajuste do Projeto de Produção e Processamento de Frutas Tropicais e Hortaliças na Nigéria, além do acordo que estará estruturado em 60 dias e que envolve a continuidade do fornecimento de petróleo pela Nigéria, o aumento do comércio bilateral, concessão de linhas de crédito pelo governo brasileiro através do PROEX – Programa de Financiamento às Exportações brasileiras. “Os segmentos a serem escolhidos pelo governo nigeriano que beneficiarão o Brasil, incluem aviões, ônibus, material de construção e tecnologia na área agrícola, além de serviços, entre outros”, declarou o ministro brasileiro de Desenvolvimento Industrial Luiz Fernando Furlan.
Para o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Nigéria, ex-deputado federal e empresário Adalberto Camargo, “é de suma importância esta nova visita do presidente da República Federal da Nigéria, que aqui já esteve em 1974, 1991 e 1999, ano em que foi eleito pela primeira vez com 63% dos votos dos eleitores daquela nação irmã e reeleito em 2003 para um novo mandato que irá até 2007, pois o empresariado passa a acreditar no real e efetivo incremento das relações bilaterais que ficaram momentaneamente suspensas, mas não impediram que os negócios atingissem nos dias atuais o patamar de R$ 9 bilhões”.
Os negócios entre os dois países como a compra de petróleo da Nigéria e a venda pelo Brasil de gasolina, já que existe a insuficiência de refino naquele país, bem como a venda de etanol brasileiro, passarão a ser feitos diretamente, através da Petrobrás e da estatal nigeriana NNPC sem intermediação, trazendo benefícios para os dois lados.
No dia 7, o presidente nigeriano foi o convidado de honra do governo brasileiro e assistiu ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palanque Oficial, o desfile cívico militar em comemoração a Independência do Brasil e ficou visivelmente emocionado com a participação no evento de 30 estudantes nigerianos que cursam a UNB. A autoridade do país irmão, manteve durante o desfile sucessivos diálogos com o presidente Lula e com o ministro da Defesa e vice-presidente José Alencar que dispensou o intérprete em sua alocuções com o presidente africano.
Na quarta-feira dia 8, o presidente Olesegun Obassanjo visitou as instalações da Embraer em São José dos Campos, onde conheceu a linha de produção de aviões brasileiros e seguiu para São Paulo, onde encerrou o Fórum de Oportunidades e Negócios na Nigéria, realizado na Federação das Indústrias, onde se destacaram o presidente da entidade Paulo Skaf, o ministro brasileiro Luiz Fernando Furlan, o empresário Adalberto Camargo, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Nigéria, Roberto Gianetti da Fonseca, o embaixador Rubens Barbosa, o presidente da Afrobras José Vicente, o ex-ministro da Indústria e Comércio e presidente da ABIEC Marcus Vinicius Pratini de Moraes, Antonio Henrique Cunha Bueno e outros. Em seguida foi oferecido pela FIESP um almoço ao presidente nigeriano, que discursando para a classe empresarial destacou “a satisfação de mais uma vez estar entre os brasileiros e poder observar o desenvolvimento do país”, ressaltando “me maravilho sempre em cada visita a este país, onde quase não mais reconheci os lugares em que estive anteriormente”. Lembrou aos presentes o esforço do ministro Luiz Furlan para viabilizar os acordos assinados em Brasília e que não se pode perder de vista que a Nigéria é a 2a. maior economia da África Subsariana, mas, ” estamos lutanto para ser a primeira nos próximos 2 anos”.
Na sua despedida, saindo do prédio da FIESP, com um aperto de mão a este articulista enfatizou: “A Nigéria agradece sua presença e participação. Até lá”.
A nossa esperança é que a presença de E.Exa. o presidente da República Federal da Nigéria no Brasil, tenha servido para que a diplomacia dos punhos de renda do Itamaraty, mude o seu pensamento em relação à presença de autoridades africanas no Brasil e que sejam realmente arquivados, a falta de respeito e o menosprezo da diplomacia brasileira em relação aos países africanos, pois se assim não acontecer, nosso país arquivar mais cedo do que pensa o sonho de contar com os votos dos países do Continente Africano, para conquistar a almejada cadeira como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Antonio Lucio