S. Paulo – O Dia Mundial contra a Discriminação será lembrado hoje em S. Paulo de uma forma que aponta caminhos para o movimento negro e anti-racista. Pela manhã, às 11h, 90 jovens estudantes da Rede Educafro protestam na porta da Agência do Banco Itaú, da Rua Sete de Abril pelos 90 dias da morte do jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, assassinado dentro de uma agência da instituição no Rio; à tarde, a partir das 14h, o Conselho da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo e a CONAD promovem debate com o professor Hélio Santos sobre Relações Sociais e Racismo; e a noite, a partir das 19h, a Prefeitura entrega o Selo Diversidade no Trabalho – Cidade de S. Paulo, uma proposta de política pública que estimula as empresas e a sociedade a combater a discriminação contra negros e mulheres.
Protesto pela manhã
O protesto convocado pela Rede Educafro é para lembrar os 90 dias do assassinato do jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, morto por um segurança do Banco Itaú, dentro das dependências de uma agência, às vésperas do Natal do ano passado. Souza, cliente há 10 anos da instituição, ficara retido na porta giratória e, ao ter autorizada sua entrada, foi abatido com um tiro no peito, depois de se envolver numa discussão com o segurança. Segundo o promotor Paulo Rangel, testemunhas contam que foi provocado antes de ser morto. O banco diz ter sido uma fatalidade. O segurança está preso.
“Serão 90 pessoas, simbolizando os 90 dias deste brutal assassinato”, afirma Eduardo Pereira Neto, coordenador da Educafro.
Os manifestantes se concentrarão às 10h, no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da USP, e seguirão em passeata até a agência, onde será colocada uma coroa de flores. Espera-se a presença de familiares da vítima, porém, até a noite de ontem isso ainda não estava confirmado.
Segundo Frei David Frei David Raimundo dos Santos, diretor executivo da Educafro, o protesto tem o sentido de lembrar os constrangimentos sofridos por negros nas portas giratórias dessas instituições. “Sabemos que o problema é mais amplo, o povo negro não agüenta mais o constrangimento moral nas portas giratórias dos bancos. Será que a porta não gosta dos negros?”, pergunta.
Depois do banco, os manifestantes seguem até a Secretaria de Educação do Estado, que prometem interditar por algumas horas. Segundo Eduardo Neto, a precariedade da Educação oferecida pelo Estado, é uma das principais responsáveis pela violência e discriminação contra jovens negros,na sua maioria estudantes da periferia de S. Paulo.
À tarde
No período da tarde, o professor Hélio Santos, fala sobre Relações Sociais e Racismo, em mesa organizada pelo Conselho da Comunidade Negra do Estado (R. Antonio de Godoy, 122, Centro)com apoio da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB S. Paulo. No mesmo evento, a ex-secretária de Justiça, Eunice Prudente fala sobre Racismo Institucional.
À Noite
A partir das 19h, acontece, na Prefeitura (Viaduto do Chá – Centro) a cerimônia de entrega do Selo Diversidade no Trabalho – Cidade de S. Paulo a 40 empresas e organizações da sociedade civil, que assumiram compromissos com o Pacto pela Valorização e Promoção da Diversidade de Gênero e Raça no Trabalho, instituído pela Prefeitura por intermédio do decreto 47.911/06.
Já estão confirmadas as presenças do prefeito Gilberto Kassab, do Secretário do Trabalho, Geraldo Vinholi, do presidente do Instituto Ethos de Responsabilidade Social e Empresas, Oded Grajew e de Hélio Santos, presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade (IBD). O evento também terá a presença de secretários municipais, como o de Transportes, Frederico Bussinger, subprefeitos, como Arthur Xavier e representantes da Secretaria de Reparação de Salvador, que pretendem replicar o Selo na Bahia.
O Selo é uma proposta surgida na Comissão Intersecretarial de Monitoramento e Gestão da Diversidade da Secretaria do Trabalho. Entre as 40 empresas estão todas as envolvidas como transporte público de S. Paulo, como a SPTrans, a CET e a Companhia do Metrô de S. Paulo. Também receberão o Selo, empresas como a Fersol, as Camisarias Colombo, e entidades sindicais como o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo.
Segundo o presidente da Comissão da Diversidade, jornalista Dojival Vieira, o Selo é um instrumento que permitirá as empresas e as organizações da sociedade, combater à discriminação pela via da valorização e promoção da diversidade e deverá e tornar uma referência para o consumidor na escolha de empresas que cumprem seus compromissos com a responsabilidade social.
O Dia
O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado por iniciativa da Organização das Nações Unidas para lembrar o Massacre de Sharpeville, em Joanesburgo, capital da África do Sul, durante o regime do apartheid. No dia 21 de março de 1.960 mais de 20 mil negros se reuniram num protesto contra a lei do passe que os obrigava a apresentar um cartão especificando os locais por onde podiam circular, quando foram atacados a tiros pela Polícia.
Dezenas morreram na manifestação e o fato chocou o mundo, obrigando a ONU a criar a data para chamar a atenção de todos os países para a necessidade de combater a discriminação racial.
Veja o vídeo do Selo Diversidade:

http://www.youtube.com/watch?v=rMqQrOI4ZsQ

Da Redacao