New York/EUA – Entre os dias 8 e 10 de Novembro aconteceu em, Nova York, sob o patrocínio dos Departamentos de Estudos Africanos & Afroamericanos da Faculdade Lehman, do Bronx, da Biblioteca Shomburg e e Universidade Columbia, a primeira conferencia oficial para celebrar 40 anos da cultura Hip Hop.

O Brasil foi representado no encontro pelo artista multimedia Toni C., que falou da cultura Hip Hop e promoveu o lançamento da biografia official de Sabotage, um dos mais importantes rappers brasileiros, morto em 24 de janeiro de 2.003, em S. Paulo. No livro Sabotage – Um Bom Lugar, Toni conta como o artista se tornou fundamental na cena Hip Hop, expressão musical e estilo de vida da juventude negra e pobre nas periferias das grandes cidades brasileiras.

O rapper e escritor, que vive em Carapicuíba, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo, falou a uma platéia de jovens acadêmicos e contou ao correspondente de Afropress, em Nova York, Edson Cadette como foi sua vida de garoto no bairro do Limão, a expulsão de sua família da casa onde morava por uma ordem de despejo, o que o empurrou para a periferia, e de sua editora virtual LiteraRUA.

Leia, na íntegra, a entrevista de Toni C.

Afropress: Quando começou seu envolvimento com a cultura Hip Hop?

Toni C.: Olha, desde que eu me conheço como gente. Parece até que ele está fundido com a minha existência. Como você mesmo estava falando do grupo Sugar Hill Gang e sua musica Rapper’s Delight (ano de nascimento de Toni C.) que atravessou fronteiras expandindo esta cultura. Lembro quando era muito criança vendo as pessoas dançando no programa do Raul Gil. Ou mesmo quando ia com meu pai ao centro de São Paulo, passando pelas grandes galerias na Rua 24 de Maio, na Rua São Bento, via o pessoal dançando. Não entendia direito, não estava envolvido, mas aquilo me dizia alguma coisa. Me identificava, tinha alguma referência comigo.

Via os passos do break dance nas danças do Michael Jackson, nos vídeos clips e tudo mais. Sem contar que eu nasci de frente para a quadra de uma escola de samba. Eu ouvia samba o tempo inteiro. Samba enredo mesmo, batucada etc. Além dos sambas havia tambem as festas, os bailes. Ouvia o que, na época, chamavamos de balanço. Depois virou rap. Mas já era o rap mesmo. A gente ouvia rap internacional o tempo todo. Os melôs como a gente chamava tambem. Estes eram os balanços cantados em português. Eram os melôs, aqueles mais descontraídos para agitar as festas. O MC pegando o microfone agitando ali na hora. Eu acompanhava  tudo isso. A discotecagem e tudo mais. Mesmo não estando presente físicamente, não tinha idade para isso. Porém, acompanhava a música, a dança, e o grafite tudo à distancia. Isto já me impactava desde pequeno.

Afropress: Qual era a sua idade?

Toni C.: Com 9 anos eu já falava para todo mundo que era DJ. Meu sonho era esse. Queria mexer com som. Queria equipamento de som. Ainda não tinha acesso as coisas, mas gravava na fitinha cassette o que tocava no rádio. Conhecia as músicas, conhecia os músicos, sabia do que se tratava. E para mim aquilo já era estar envolvido com a música. Na minha cabeça eu já estava envolvido com a música de alguma forma. Nesta época, mesmo muito novo, eu andava com um pessoal um pouco mais velho da rua, do bairro. Eles faziam as festinhas e tal. Como eles eram mais velhos tambem, faziam estas festas para pegar as garotas.

Eu não tinha idade para isso. Não tinha menina compatível com a minha idade. Então eu participava destas coisas. No começo todo mundo queria estar atrás do som dizendo: “Eu trouxe um disco novo, eu trouxe fita”. Um trazia o aparelho de som, o outro trazia outro, uns traziam as caixas de autofalante. E a gente montava as festas lá na rua. Só que tem o momento da lenta.  Neste momento o pessoal ia dançar as lentas, xavecar as meninas. Então o som sobrava para mim. Dali em diante eu comandava. Então eu tinha meu momento ali. Mesmo muito novo eu tinha meu momento com o som. Estas foram as primeiras ações desenvolvendo a cultura.

Agora, a primeira vez que eu me peguei defendendo, palestrando ou reivindicando sobre a cultura Hip Hop foi porque com este mesmo grupo de amigos de infância, a gente pegava o rádio, levava para a rua e ouvia muito House Music, Miami Base, a gente ouvia de tudo, mas estes gêneros eram os principais. Só que tinha um momento onde entrava a Voz do Brasil no rádio. Ninguém queria ouvir a Voz do Brasil. Aí entrava as fitinhas que a gente tinha gravado durante a semana. Cada um trazia a sua.

A gente disputava quem iria gravar sem vinheta, gravar a música inédita que não tinha surgido e tudo mais. Aí eu trouxe uma fitinha que estava legal, estava de acordo com o playlist da rapaziada. Mas aí teve um momento que começou a tocar uma música que tinha uma batida mais seca. O pessoal cantava meio caipira, meio puxando o R, e cantava em português. E para gente era uma coisa estranha. E aí todo grupo comecou a falar – “aí, esses caras cantando caipira, errado tudo estranho, falando palavrão etc”. Ai alguem falou: “tira esse baguio aí”. Nisso chegou um cara mais velho. Tinha uns 18 anos.  A molecada tinha tudo 16, 17 anos eu 9, e chegou um cara de 18. Ele tinha o dobro da minha idade. Ele já discotecava, já era mais reconhecido porque ia para outros bailes, não frequentava só matinê, enfim… ele tinha uma vivência muito maior. Ele ouviu e disse: “Ocês tão ouvindo isto aí? Não acredito”.

Daí o pessoal olhou para a cara dele e ele falou: “Meu, ocês não sabem o que é isso não.  Esse grupo aí ocês vão ouvir falar muito do nome deste grupo aí. É Racionais MCs. Esta música chama Pânico na Zona Sul. Foi a primeira vez que eu me vi apresentando um pouco desta cultura pra outros e tal. A partir daí eu passei a ter moral porque até então eu estava sendo zoado, tirado. Então eu estava trazendo a novidade apresentando um pouco do que era este movimento, esta cultura. Sem saber que estava tudo conectado. A dança do Michael Jackson com rap, com a bateria da Mocidade e tudo mais da escola de Samba.

Afropress: Em que lugar de São Paulo? Onde estava acontecendo este envolvimento com o Hip Hop?

Toni C.: Zona Norte, alí na região do bairro do Limão, onde nasci e fui criado.

Afropress: Onde você recebeu sua educação fundamental e média?

Toni C.: Foi ali mesmo na região. Estudei num colégio chamado Visconde. Tive muitas oportunidades de conhecer muita coisa. O basquete por exemplo. E outras ações coletivas, até mesmo tocar em fanfarra. Isto parece um pouco com a história do Happin Hood (rapper). Ele começou a aprender a ler partitura, ter contacto com a música, tocando em fanfarra. Comecei a ter ações mais participativas, mais colaborativas com muita gente, o coletivo, né? Percebei que não sou eu sozinho. Dá para fazer parceria com muita gente.

Afropress: Depois que você terminou o ensino fundamental qual foi sua trajetória?

Toni C.: Mudei para Carapicuíba.  Foi um baque porque era distante geográficamente falando. Era difícil o acesso às coisas. Entretanto, aquele conhecimento que eu tinha se sobressaía. Conhecimento com a música. Montei uma equipe de som. Conseguimos desenvolver uma série de coisas. A comunidade por ser muito carente acabava se ajudando, e cada ação tem uma repercussão muito maior.  Uma projeção muito maior. Isto me marcou porque acabei me distanciando da formação que eu tinha antes, de amigos.

O ciclo teve que ser reconfigurado. Até mesmo o basquete eu tive que desistir naquele período. Eu tinha uma série de “regalias” porque estava mais perto do centro da cidade. Ter acesso à cidade passou a ser mais complicado. Agora,  Carapicuiba tambem marca este período justamente por chegar lá quase por uma ordem de despejo. Marca tambem um início de um período com uma tensão política muito grande porque foi um papel (escritura) que me tirou do local onde nasceu minha avó, meu pai viveu a vida inteira, e eu era a terceira geração e estava sendo expulso por causa de um papel (escritura) por um pessoal que eu nunca tinha visto antes dizendo que eles eram donos daquele pedaço de terra. Comecei a perceber, então, a força que tem a palavra. A força que tem o papel, o documento.

Comecei  a correr atrás e dizer: “Espera aí, se o papel tem força para me tirar, tem força para me trazer de volta. Tem força para criar outras coisas”. Comecei a me ater à palavra, ao documento, a política, às leis. Isto para mim foi um marco. Aconteceu quando eu tinha uns 15 anos. Práticamente minha vida de trinta e poucos anos tendo nascido e vivido 15 anos em São Paulo, e depois indo para Carapicuíba que é subúrbio de São Paulo. Demorei mais quinze anos para retornar ao meu lugar de origem.

Afropress: Você se considera um ativista?

Toni C.: Mais do que artista, seguramente. Se sou artista, certamente o ativismo é uma das coisas que me levou a isto. Se bem que a palavra ativista passou a ser banalizada hoje em dia. Ainda mais em São Paulo isto se usa com muita frequência para tudo. Todo mundo é manifestante. Eu tenho um pouco do legado da produção artística do meu pai. Ele era um artista, mas nunca vendeu um quadro, nunca vendeu uma escultura, mas era um artista completo. Mas minha necessidade de me comunicar fez com que a literatura se tornasse uma ação,  ao mesmo tempo, artistic, militante político, ativista. O Hip Hop me ensinou a fazer isso. O Hip Hop é um movimento sócio-cultural. Se fosse só cultura e só música diversão, não sei que lá? Aí pode ser outra coisa, pode ser qualquer coisa. Pode ser ate o rap tambem. O rap pode ser feito até pelo Roberto Carlos. Agora o Hip Hop é feito por pessoas que tem um comprometimento, uma postura e uma contrapartida tambem social. Seja de auto afirmação racial, política, de classe, seja para despertar a consciência.

Afropress: O Brasil tem a fama de ser o país da democracia racial. Morando em São Paulo, você acredita que o Brasil é uma democracia racial?

Toni C.:  A divisão é social. E econômica.  Racial, ou etnica, é por consequência de uma  história. De uma construção. É evidente que existe uma divisão étnico/racial. Digo que é economica e política no primeiro momento porque o nordestino que foi para construir São Paulo, ou o negro que foi escravizado e trazido para o Brasil, e consequentemente depois para construir Sao Paulo, ambos acabam dividindo o mesmo espaço, e são tratados da mesma forma, ou muito parecida. Existe uma penalidade maior evidente para o negro. Ele é duplamente penalizado. Primeiro por ser pobre, e segundo por ser negro. Mesmo o nordestino, mesmo o nortista, mesmo as pessoas das periferias elas são discriminadas pela condição social, agora pela aparência talvez elas consigam aparentar ter uma outra condição, ou ser de uma outra área geográfica.

Agora, em São Paulo, sobretudo, é nítido, é segregado. Não existe um apartheid (regime de segregação racial adotado na África do Sul), uma placa dizendo “aqui não pode”. Enquanto aqui nos EUA existia a placa dizendo: “colored/white (negros e brancos), em São Paulo o racismo é irrigado pelos tubos da SABESP [companhia de abastecimento de água de S. Paulo].

Usando o exemplo do rapper Sabotage. O bairro do Brooklin, é o bairro que mais consumia água em São Paulo, muito acima da média, só perdia para um bairro em Brasília. O bairro do Brooklin é  um dos lugares em que mais se consome água, e ao mesmo tempo você tem uma favela encravada dentro do Brooklin e não há fornecimento de água para os favelados. Com isso você gera a poesia do rapper Sabotage dizendo: “Favela só falta água, e quando chove ela alaga”. É uma ironia tanto quanto você ter no mesmo bairro um fornecimento tão desigual.

Afropress: Como foi o salto do pequeno Toni DJ para o Toni  escritor e tambem diretor de documentário? Você teve influências literárias, ou livros que você leu que te marcaram?

Toni C.: Eu não sinto este salto. Para mim tudo foi dolorido, sofrido, lento e continua sendo. Árduo, contínuo. Agora, é evidente que houve uma evolução de idade, de acúmulo de saber, e de perdas tambem. De uma série de coisas, de ingenuidade. Tem uma tranformação aí. Agora, esta transformação  ela é marcada por alguns episódios que eu já narrei aqui. Foram muitos livros que me marcaram e são responsáveis por tudo isso. É dificil dizer uma única obra. Agora, eu posso dizer que sou filho de Carolina de Jesus. Uma catadora de lixo que escreveu o aclamado Quarto de Despejo e mesmo quase analfabeta teve seu livro publicado em várias partes do mundo. Ganhou milhões, e perdeu tambem, e morreu sem nada. Carolina de Jesus tem uma série de metáforas, uma construção filosófica profunda apesar de sua simplicidade. E para ser simples tem que ser muito genial, né? E ser sofisticado ao mesmo tempo. O Sabotage tambem fazia isso. Porém, o rap é o grande responsável. Eu fujo, fujo, fujo… Se eu estou aqui hoje, é porque ouvi os Racionais MCs naquela fitinha lá naquele dia, apresentei as pessoas aquilo me tocou e falava coisas do tipo: “quem gosta de você é você mesmo”; “sua moral não se ganha, se faz”. Então, se eu tenho alguma moral, certamente não foi porque eu comprei, não foi nenhum cartão de crédito que me emprestou, não foi nada disso. Eu tive que construir isso cotidianamente. Continuo fazendo isso porque sou testado o tempo todo. Então nem vejo o salto por causa disso. Nem é tão diferente. Continua sendo um aprendizado contínuo.

Afropress: Como surgiu o convite para sua participação nessa Conferência?

Toni C.: Estou aqui participando de um encontro de Hip Hop e Educação. Para mim é quase um pleonasmo porque Hip Hop é Educacao.  Arte, Cultura e Educacao. Na síntese é a mesma coisa. Ainda mais se a gente pensar de uma maneira mais dialética, juntando as coisas você vai perceber que não são tão diferentes assim. Na prática é a mesma coisa. Às vezes ate segmenta demais a ponto de ter uma Secretaria da Cultura, uma Secretaria de Educacao. Porém, onde você aprende mesmo Cultura se não na escola, onde mesmo você aprende Educacão se não  com aquilo que te impacta ou emociona. Então a música te educa, a arte, a cultura, a dança etc. E você só consegue ser educado quando você é sensibilizado, quando você é emotivamente ligado naquele contexto. Caso contrário vira o que chamam de Educação em Sao Paulo. Ou seja, a educaçãoo formal passa a ser decoreba. Isto não é educação.

Afropress: Agora falando sobre o livro Sabotage. Qual foi a sua maior dificuldade em escrevê-lo?

Toni C.:  Cara, acho que é mais fácil você perguntar qual foi a maior facilidade. Tudo foi difícil. Em se tratando do Sabotage é muito complicado. Em se tratando do povo negro, o povo pobre, é muito difícil você reconstituir a história. Se eu perguntar para uma pessoa pobre, negra, e da periferia de São Paulo, ou do Brasil, qual o nome do seu pai, talvez ele saiba. Existe uma possiblidade muito grande dele não saber. Se eu perguntar sobre o avô, talvez ele fique com dúvida, mas consiga lembrar mesmo sem ter conhecido. Se eu perguntar sobre o bisavô para trás eu estou tirando porque certamente essa pessoa não tem esta informação. E como você consegue ter uma identidade se voce não conhece sua raiz. Desenvolver a árvore genealógica da pessoa. Saber de onde ela veio. As influências que ela tem. Por mais negra que ela possa ser ela tem origem italiana tambem, árabe, e vice versa. E por mais branca que ela pensa que ela é, ela tambem tem origem africana,chinesa, jamaicana, e assim vai.

 Ainda mais no Brasil com um povo miscigenado o tempo todo. Isso com o Sabotage é levado a décima potência. E por isto que eu digo que o Sabotage é a sintese do povo brasileiro. Você nao consegue muito reconstituir a história do Sabotage por causa dos documentos, documentação, e Sabotage é quase como água e óleo, eles não se misturam. Ele não tinha documento, tinha documentos que ele tinha dois, três. Perdia e já mandava fazer outro. Alguns diziam que aqueles documentos são todos frios, falsos. Data de aniversário, há dúvidas sobre o nascimento dele. Até hoje, 40 anos depois, tem pelo menos uma controvérsia com a data dele. A biografia acaba demostrando uma outra data que é a data que está nos documentos oficiais, mas não corresponde a data que estava no túmulo. É bem complicado quando se trata de fazer afirmações sobre o Sabotage. É muito  difícil. Tudo foi difícil. Você tem deficiência para localizar e checar a fonte e tudo mais.

Tudo passa a ser mais difícil, e nós tentamos contornar tudo isso com criatividade mas com muito conversa com muita gente, com familiares, com depoimentos. E as pessoas foram todas muito solícitas com a própria obra dele. As pessoas são muito solícitas em falar sobre o Sabotage, há muito interesse, as pessoas se empolgam, se empenham, se emocionam lembrar e tudo mais. Agora, quando você vai nos autos, foi muito complicado ter acesso à parte criminal, ao processo. O que é muito fácil falar dele, e muito dificil de comprovar isso, é localizar estes dados e tudo mais.

Afropress: O que e a LiteraRUA? Como surgiu? Ela trata somente da história do movimento HiP Hop ou abranje outros tópicos tambem?

Toni C.: A literaRUA é a falta de alternativa. Como nós não conseguíamos publicar nossos livros em lugar algum. Ninguém acreditava no nosso projeto nós mesmos começamos a produzir da capa a contra capa, o conteúdo. Criatividade e conteúdo não nos faltava. Faltavam condições estruturais para nós desenvolvermos o nosso livro. Tivemos uma experiência, por exemplo, de fazermos um livro para um projeto e doar todo os livros que saíram deste projeto. Chegamos a conclusão que isso não dá certo. Veja só: se nós ganhamos o dinheiro para o projeto numa parceira com o Governo federal, uma parceria bacana, nós desenvolvemos isto, aí passamos a entregar os livros para as pessoas sem cobrar nada. Nós acabamos ficando sem dinheiro e sem livro, sem produção. Houve vários episódios. Mas tem uma coisa que foi um marco prá gente. É uma escola para a gente. É um projeto chamado Ponto de Cultura. O Ponto de Cultura é uma parceria entre o Ministério da Cultura com os movimentos sociais. O Hip Hop a lápis que era o nosso movimento, a nossa ação que a gente desenvolvia, desenvolveu este Ponto de Cultura, com este nome e produzimos livros.

Passamos a ter o know-how do desenvolvimento da produção literária, em outas palavras: toda a cadeia produtiva nós começamos a dominar com exceção de uma que é a distribuição. Nós estamos aprendendo, porém, hoje ela está bem mais desenvolvida.

Entretanto, o Ponto de Cultura tem um período formal porque a ideologia diz o seguinte: “O ponto de cultura não se cria nem se extingue. Ele é permanente por que ele é ação em si, ação que já está desenvolvida. Durante um período passamos a gestar via Ponto de Cultura que tem lá seu término justamente para você ter autonomia e poder desenvolver sem precisar mais deste vínculo governamental. Foi aí que nós precisamos ter uma postura uma ação  em tornar aquele produto rentável a ponto das ações serem auto sustentáveis. A LiteraRUA surgiu aí.

Quando nós criamos a loja virtual para vender nossos títulos, e com isso suprir a deficiência da distribuição, virou um selo editorial e passamos a publicar o livro do Renan Inquérito,  passamos a publicar o livro "Um Sonho de Periferia" com crianças da zona sul de São Paulo. A verba que entra com a venda deste último livro é toda revertida para esta instituição de crianças, ou seja, é revertida para outras ações deles, para outros projetos.

Eu produzi um romance chamado O Hip Hop está Morto, e agora com o livro do Sabotage  todos eles por este selo LiteraRUA, e agora virão outros títulos, devemos ter uma próxima biografia e outros títulos mais. E LiteraRUA é isso, passou a ser uma ação coletiva de autores que se auto publicam de maneira independente e flexivel, né? Mas, atende diretamente ao público. Não é necessáriamente específico literatura do Hip Hop, mas acaba sendo por consequência, porque a cultura de rua é a cultura do Hip Hop. A LiteraRUA é essa cultura.

Afropress: Além do Toni C. quem mais faz parte da LiteraRUA?

Toni C.: Olha, nós temos uma equipe de editores, de parceiros, de outros autores, o Renan do Rubin Inquérito, O Gil que está finalizando a biografia do Nelson Triunfo. Enfim, tem outros parceiro, o LF pode ser um novo parceiro. Enfim, outras possibilidades estamos construindo.

Afropress: Faça suas considerações finais para os leitores da Afropress.

Toni C.:  Cara tenho muito a agradecer. De encontrar a Afropress aqui em Nova York. Já tinha contacto com o veículo, mas perceber que você viaja para fora do país, e a diáspora está presente. A gente consegue se conectar através de um veículo de comunicação negro que nos acolhe desta maneira tão próxima a ponto de salvar a gente quando está em apuros no aereoporto [o correspondente Edson Cadette foi buscá-lo no Aereoporto internacional de Newark, New Jersey), no Metrô e tudo mais, a gente só tem a agradecer quem nos acompanhou aqui na idéia. Enfim, a possiblilidade da gente poder trocar estas informações que é um aprendizado sempre. Estar aqui em Nova York é um grande aprendizado, e saber que a gente não está sózinho é melhor ainda.

Da Redação: com Edson Cadette