Gente, relutei muito em escrever estas linhas. Não queria – não quero – parecer rancoroso, mesquinho, exigindo autocrítica e tampouco exigir comportamento semelhantes ao pior do sectarismo de esquerda. Logo, neste texto (breve, juro) e nos próximos, vou tentar (tentar eu disse) falar de forma conceitual. Vamos ao debate.

Entendo como legítimas as manifestações e a revolta da juventude que está na rua contra o golpe com nome de impeachment. Ao mesmo tempo em que são legítimas, o comportamento da direção nacional do PT e, no caso aqui do RS, de militantes que ocupavam postos-chave no governo Tarso Genro formam um festival de contradições e duplo discurso. O argumento é bem simples.

Enquanto a juventude que apóia -criticamente ou não – o governo deposto tomas as ruas e exerce a desobediência civil, a direção nacional do partido de governo deposto liberou as alianças municipais com legendas que, em nível nacional, apoiaram o golpe com nome de impeachment.

Entendo que a dinâmica das eleições municipais são muito particulares, mas esse feijão com arroz paroquiano simplesmente azedou, não corresponde à predisposição da sociedade, polarizada e repudiando os acórdãos com os setores conservadores. Foi justamente esta promiscuidade que permitiu o espaço para a traição previsível da direita que era governo com o lulismo, aliando-se com a direita que perdera na urna por quatro vezes seguidas.

Já o debate com os dirigentes que estavam no Palácio Piratini no ano de 2013 é ainda mais direto. Hoje estes e estas se solidarizam – corretamente – com a juventude que pratica a desobediência civil e é selvagemente reprimida pelo aparato policial-militar, Força Nacional incluída. No ano de 2013, as forças políticas à esquerda do PT e do lulismo, organizadas no Bloco de Lutas pelo Transporte Público, realizaram a maior conquista de direitos coletivos por fora do jogo institucional. Isso foi em maio. Na sequência, solidários e solidárias aos movimentos semelhantes em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Goiânia, o Bloco voltou às ruas, tentando protestar contra a desinformação midiática e a repressão policial.

O posicionamento do então governador Tarso Genro foi o pior possível: liberou a Brigada para reprimir; sua Polícia Civil entrou em sedes políticas por duas vezes, e sem mandado; perseguiu militantes conhecidos; declarou-se publicamente seguidas vezes contra os protestos, chegando a taxar os manifestantes de "práticas fascistas". Resultado: três anos depois, sua base política exerce o mesmo comportamento e não se escuta nenhuma autocrítica de dirigentes estaduais, e obviamente, menos ainda da direção nacional do partido do governo deposto pelo golpe com apelido de impeachment.

Conclusão: repetem-se as mesmas práticas e tamanha indignação da juventude um pouco mais à esquerda, pode novamente esvair pelo ralo, através de direções pouco ou nada confiáveis, comportamento dúbio e discurso de tipo oportunista. Volto ao tema em outras ocasiões. Por mais duro que seja este debate, ou o fazemos agora, ou os mesmos caminhos e práticas repulsivas seguirão existindo.

Saudações solidárias.

 

 

Bruno Lima Rocha