S. Paulo – Com a proposta de promover a descentralização e estimular a criação de Comitês Regionais de Enfrentamento ao Racismo e a Desigualdade Racial em todas as regiões administrativas do Estado, o engenheiro Ivan Lima, 44 anos, assume logo mais às 15h, no Auditório Ulysses Guimarães do Palácio dos Bandeirantes, a presidência do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo, órgão integrado por 10 representantes de várias secretarias do Governo e 22 da sociedade civil.

Lima, que tem pós graduação em Educação Superior e também é pós-graduado em Administração pela Universidade de S. Paulo (USP) ficará no cargo até 2020 e promete uma gestão profissional com a definição de metas e monitoramento dos resultados.

Entre as idéias que quer colocar em prática está a implantação do Plano Estadual de Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial, com a defesa das ações afirmativas em todos os eixos temáticos. Como parte do plano de descentralização do Conselho – que é o primeiro órgão de defesa da população negra criado após o regime militar no período da redemocratização – ele quer estimular a criação de Conselhos Municipais e órgãos de combate ao racismo nos 645 municípios do Estado, bem como sensibilizar os prefeitos para que adotem políticas de ação afirmativa.

S. Paulo é o Estado com maior população negra do Brasil, em números absolutos – cerca de 16 milhões – 34,6% da população total de cerca de 43 milhões de habitantes.

Ações afirmativas

Dentro do Programa de Ações Afirmativas que a nova gestão do Conselho pretende adotar está a defesa da garantia de acesso dos negros aos concurso públicos pelo sistema de cotas, e inclusão de negros nos altos escalões do Governo, além do estímulo a negócios de empresas pertencentes a negros como mercado africano, indo além da defesa do processo de integração cultural.

A nova gestão, que terá a ativista Alessandra de Cássia Laurindo como vice-presidente e Maria Aparecida de Laia, como secretária, também promete fazer a defesa junto ao Governo do Estado da criação de políticas publicas para os Povos e Comunidades Tradicionais, entre outras ações e assumir a defesa da juventude negra.

Em entrevista ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, o novo presidente do Conselho, falou dos seus planos e prioridades. Leia.

AfropressQuais serão as suas prioridades na presidência do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo?

Ivan Lima – Eu elaborei uma Carta Programa para a gestão 2016/2019, com a contribuição de alguns especialistas da causa negra, que tem como direcionamento estratégico a Década dos Afrodescendentes, que corresponde ao período de 2015 à 2024, este plano de trabalho também possui a definição da missão, visão e valores do CPDCN, as diretrizes estratégicas e a agenda cultural e de eventos para o primeiro ano de mandato. Porém as nossas propostas prioritárias de políticas públicas para a comunidade negra do conselho, já estão definidas no folder anexo e serão as primeiras ações concretas que pretendemos colocar em prática.

Afropress – Qual a avaliação que você faz da recente gestão que você irá suceder?

IL – Avalio que a gestão anterior serviu de experiência para alcançarmos efetivamente os resultados almejados nesta gestão, de forma coletiva e descentralizada.

AfropressComo analisa a situação da população negra de S. Paulo e que políticas defende para a redução da desigualdade?

IL – Analiso que a nossa situação enquanto população negra, requer reconhecimento, justiça e desenvolvimento como preconiza a resolução 68/237 proclamada pela Assembléia da ONU. Para a redução das desigualdades pretendemos implantar o Plano Estadual de Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial, bem como implementar as Ações Afirmativas em todos os eixos temáticos seguindo a transversalidades.

AfropressComo filiado ao PSDB, que políticas o partido defende a serem implementadas em defesa da população negra paulista?

IL – O Conselho é um órgão voltado para atender a sociedade civil, possui 10 membros governamentais e 22 membros da sociedade civil. Eu sou representante da sociedade civil no conselho. Com relação ao PSDB, as propostas que apresentamos, estão alinhadas com os propósitos de resgate, construção e implantação de uma política de estado permanente que ultrapasse os governos e transforme a vida para população NEGRA

AfropressFaça as considerações que julgar pertinentes.

IL – Nós somos o que fazemos, mas principalmente somos o que fazemos para mudar o que somos. O povo que não não ama e não preserva as suas formas mais autênticas de expressão, jamais será um povo livre.

Da Redacao