A primeira vez que visitei New York foi em março de 1987. Realizava um sonho alimentado desde que comecei a estudar inglês uma década antes. Na época da viagem, eu ainda trabalhava para a Viação Aérea Rio-Grandense (VARIG). Como funcionário obtive o visto sem sofrer a humilhação que sofrem os cidadãos brasileiros que tentam conseguir o visto para viajar aos EUA hoje em dia.
Como um bom paulistano e ufanista, eu acreditava que São Paulo estava em pé de igualdade com Nova York. Nada mais longe da verdade. Somente quem não visitou esta cidade acredita que as duas são parecidas. Para ficarmos somente na comparção sobre transporte público, o Metrô novaiorquino tem mais de 100 anos de idade e cobre os 4 principais bairros da cidade – Brooklyn, Bronx, Manhattan e Queens. O outro bairro que faz parte da cidade, Staten Island, é servido por uma balsa e também por ônibus. É de conhecimento geral o caos ao qual são submetidos os paulistanos que dependem do transporte público.
Não falando, é claro, que uma cidade como São Paulo tem a pachorra de fechar as portas do Metrô à meia- noite. O Metrô de São Paulo comparado ao de Nova York parece mais um trenzinho de brinquedo. O nosso atraso ficou uma vez mais comprovado com o acidente numa das linhas no começo do ano.
Adotei Nova York como minha cidade em 1990. Fiquei quase 10 anos sem voltar ao Brasil. Quando regressei, em 1999, quase chorei de tristeza porque a cidade onde eu cresci havia sido transformada numa imensa favela com bolsões de riqueza espalhados. Enquanto a cidade de Nova York foi se transformando nos anos 90, melhorando a qualidade de vida de seus cidadãos, atraindo negócios, empresas, moradores, turistas, etc, São Paulo ia seguindo o caminho oposto; ou seja: perdendo negócios, turistas, moradores, e piorando a qualidade de vida de seus cidadãos. E tudo isto sob os olhares complacentes da elite e classe média paulistanas.
Aprendi nestes anos de Nova York o que é ser cidadão e ter seus direitos respeitados. Como qualquer outra grande metrópole, Nova York tambem tem seus problemas, entretanto uma coisa é certa: o cidadão desta cidade jamais será desrespeitado pelo seu próprio prefeito, mesmo que esteja temporariamente desempregado, como o ocorrido recentemente, com um cidadão paulistano sendo humilhado pelo prefeito da maior cidade do país.
No dia 09.03.07, um dos tablóides aqui estampou numa de suas páginas, a figura de um dos nossos maiores corruptos politicos, o Sr. Paulo Maluf, que já foi prefeito e tambem governador de São Paulo. O artigo dizia que ele é persona non grata aqui nos EUA, por ter usado um banco da cidade para roubar, isto mesmo, para roubar mais de US$140 milhões de dólares.
Quando vi sua foto no jornal pensei naqueles velhos faroestes americanos onde os bandidos tinham suas fotos pregadas em todos os lugares com os dizeres: PROCURA-SE. Políticos como o Sr. Paulo Maluf fazem com que São Paulo siga na rabeira das grandes metrópoles mundiais.
Nova York Dividida
O museu “the New York Historical Society” está apresentando a segunda parte da exibição sobre a escravidão, que tem como titulo: “New York Divided – Slavery And The Civil War” (Nova York Dividida – Escravidão e a Guerra Civil)
Se a primeira exposição, que aconteceu no outono de 2005, discutia a influência escravocrata em todas as áreas, e como a cidade foi sendo erguida pelas mãos de escravos africanos, esta segunda parte trata da emancipação dos escravos, e também da dualidade sob a qual a cidade se encontrava como centro de liberdade, e ainda também sob a mão de obra escrava durante o período da guerra civil.
Nova York teve um papel central na guerra civil norte-americana, que acabou com a escravidão, em 1865. Contribuindo com a maioria das tropas, com mais dinheiro e com o maior número de recursos industriais, também sofreu mais do que qualquer outro Estado do Norte ou Sul. Porém, o motim sangrento da convocação militar obrigatória de 1863, revelou uma cidade estranhamente dividida.
Nova York tinha o papel contraditório de ser a virtual “Capital do Sul”, com grandes ligações comerciais e politicas e, ao mesmo tempo, ser o grande centro do movimento abolicionista. Esta exibição traça a evolução do crescimento da cidade como potência econômica nacional e global, e seu relacionamento dentro do confronto nacional com problemas como a escravidão e iniquidade racial, tendo como pano de fundo a guerra civil norte americana.
Esta dualidade é otimamente analisada nexta exibição. No dia que fui visitá-la, homens e mulheres com vestimentas da época explicavam o contexto no qual o país vivia, e a complexa realidade vivida por Nova York entre os abolicionistas e os escravocratas.
Nova York Dividida mostra tambem como o movimento de libertação dos escravos foi interrompido com a revolução do algodão no Sul do país, e realça o entendimento público dos esforços dos nova-iorquinos negros e brancos na luta pela liberdade que pressagiou o movimento dos direitos civis no seculo XX. A exposição fica em cartaz até o dia 3 de Setembro de 2007.
Servico
The New York Historical Society
170 Central Park West
New York, NY 10024
212- 873-3400
www.nyhistory.org

Edson Cadette