SÃO PAULO– O Coletivo de Advogados Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos protocolará na próxima semana ação civil pública para que o Carrefour seja responsabilizado por dano moral coletivo, por causa do novo caso de racismo envolvendo o grupo francês, desta vez, em Salvador, Bahia.

O caso aconteceu no dia 30 de novembro, por volta das 20h, na loja do Atacadão, que pertence a marca francesa, na Estrada do Coqueiro Grande, em Cajazeiras.

A garçonete Vitória Dimas, mãe de um menino negro de 8 anos, disse que o filho foi abordado por uma funcionária que, ao ver o garoto com um pacote de macarrão instantâneo, perguntou se a criança iria pagar pelo produto ou iria roubá-lo.

Diante disso, a mãe chamou a Polícia, procurou o advogado Ivonei Ramos que registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia. As autoridades policiais já instauraram inquérito para investigar a denúncia.

Na manhã desta quinta-feira (09/12), a garçonete e o filho, acompanhados do advogado, estiveram na Delegacia para prestar depoimento.

Também nesta quinta, o advogado Cláudio Latorraca (foto) em nome do Coletivo, formado pelas entidades SOEUAFROBRASILEIRA e Coletivo de Advogados pela Democracia, telefonou ao colega baiano para prestar solidariedade  à família. Latorraca disse que o Coletivo está à disposição para apoiar as iniciativas visando a garantia de direitos.

MARKETING CAI POR TERRA

O novo caso de racismo desmonta a campanha publicitária e de marketing que vem sendo executada pelo Carrefour desde o assassinato do soldador João Alberto Silveira Freitas, por seguranças, em novembro do ano passado, em Porto Alegre.

A campanha tem como pilares o acordo de R$ 115 milhões assinado com a Educafro,  Centro Santo Dias e órgãos públicos, que exclui a responsabilidade civil da empresa pela morte, e um Comitê de Diversidade formado por celebridades negras com visibilidade na academia e no mundo do empreendedorismo.

REINCIDENTE

Diante de mais um caso de racismo envolvendo o Carrefour os vereadores de Salvador emitiram nota de repúdio e cobraram providências das autoridades.

O vereador Silvio Humberto (PSB) lamentou a reincidência de ocorrências de discriminação na rede Carrefour, que administra o supermercado. “Em mais um caso de racismo, a rede Carrefour vai de encontro ao discurso de comprometimento com políticas sérias e contra as discriminações”, salientou.

ADVOGADO SE QUEIXA

No depoimento desta quinta, o advogado Ivonei Ramos, que já anunciou que entrará com ação por danos morais, se queixou da conduta dos policiais envolvidos durante a coleta dos depoimentos. “A sensação que fica é que eles tratam o caso como se fosse uma besteira”, disse.

Ramos reclamou que a delegada não estava presente durante as oitivas, que as imagens das câmeras ainda não foram disponibilizadas para a polícia e que as declarações dadas pela mãe não puderam ser disponibilizadas para a defesa.

A Polícia Civil afirmou que as imagens das câmeras de segurança foram solicitadas na última quarta-feira (8), por meio de ofício direcionado ao Atacadão, supermercado do Grupo. “O depoimento especial do garoto já foi realizado e a oitiva do suspeito também já está agendada”, informou a autoridade policial em nota.

OUTRO LADO

Como sempre acontece, o Grupo Carrefour, empresa que administra o Atacadão, disse que “tomou conhecimento do caso” e iniciou “rigorosa apuração interna e está buscando contato com a cliente para qualquer tipo de suporte”. A rede disse ainda que “reitera o seu compromisso com políticas sérias de diversidade e repudia veementemente qualquer tipo de discriminação”.