S. Paulo – A seleção de juízes no Poder Judiciário reproduz as desigualdades existentes na sociedade. A opinião é da Conectas Direitos Humanos, organização não governamental, em documento enviado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em que defende a adoção de cotas para negros na magistratura.

Levantamento feito pela Associação dos Magistrados Brasileiros, em 2005, aponta que os pretos representam menos de 1% e os pardos 11,6% do total de magistrados brasileiros. Segundo o Censo do IBGE 2010, pretos e pardos – vale dizer negros – representam 50,7% da população.

De acordo com Juana Kweitel (foto), diretora de Programas da Conectas, o processo de escolha dos juízes no Brasil é influenciado por questões que envolvem renda, trabalho, posição social e influência política.

Desigualdade

A  diretora da Conectas disse ao jornalista Roldão Arruda, do Estadão, que a desigualdade no acesso às funções de juízes começa pela preparação dos candidatos. “Exige um tempo do qual as pessoas que precisam garantir sua renda muitas vezes não dispõem. Além disso, o sucesso depende quase sempre de um acompanhamento preparatório de alto custo financeiro e outras variantes como entrevistas pessoais”, afirmou.

A proposta da Conectas foi enviada a Comissão Especial do Conselho Nacional de Justiça que está avaliando a questão da desigualdade racial na sua composição.

Da Redacao