S. Paulo – O “showneral”, como chamou o jornalista Sérgio D’Ávilla, da Folha, a cerimônia fúnebre de despedida da família e de amigos do Rei do Pop, Michael Jackson, foi mais do que a TV de todo o mundo mostrou: foi um ato político de desagravo a quem durante sua vida teve de conviver com a pecha injusta de pedófilo e abusador de criancinhas.
Já se disse quase tudo sobre MJ, antes e depois da sua morte, em Los Angeles, em circunstâncias ainda desconhecidas e que estão sendo apuradas. O que faltava dizer foi dito no ato do Staples Center. Lá estavam os amigos e as lideranças maiores da comunidade negra americana que disseram para o mundo inteiro: “Ele é um dos nossos. Agora, vá em paz Michael”.
Do discurso do reverendo All Sharpton, passando pela mensagem de Nelson Mandela, aos testemunhos de Michael Jordan e Brooke Shields; das palavras emocionadas de Steve Wonder, até o tom assertivo dos filhos de Martin Luther King – Bernice e Martin Luther King 3º -, toda a cerimônia foi pensada para ter exatamente o caráter que teve: um ato político de desagravo a quem, em vida, teve de suportar as conseqüências da sua genialidade como músico, cantor, dançarino e ícone da cultura pop e negra do mundo.
Sharptom destacou a importância do astro para os negros americanos. “Obrigado, Michael, porque você nunca parou, porque você nunca desistiu, porque acabou com as nossas divisões, por ter nos dado amor, esperança”, afirmou. “Eu gostaria de dizer algo para os três filhos [do cantor]: não há nada de estranho com seu pai. Estranho foi o que ele teve de enfrentar.”, disse, sendo aplaudido de pé pelo ginásio.
As palavras da filha, Paris, fecharam a cerimônia. “Desde que eu nasci, você tem sido o melhor pai que se pode imaginar. Eu só queria dizer: te amo muito’, disse a menina, chorando.
Agora, sim, Michael, vá em paz!
Os negros americanos te reabilitaram. Os negros e todos os povos do mundo, saúdam o Rei! Michael, morreu. Viva Michael!

Da Redacao