Brasília – Delegados de todo o país começaram a chegar ontem em Brasília para a abertura da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que será aberta nesta quinta-feira (30/06), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
A sessão solene, que terá a presença do Presidente Luis Inácio Lula da Silva e da Ministra Matilde Ribeiro, além de autoridades e convidados – incluindo cerca de 150 observadores internacionais – acontece a partirr das 15h30.
Os mais de mil delegados de todos os Estados, entre os quais delegações de indígenas, quilombolas, ciganos, árabes e judeus começaram a chegar na tarde e noite de ontem, quando foi aberto o I Seminário Internacional sobre Ações Afirmativas, no campus da UnB, pela Ministra Matilde.
À tarde, o secretário-adjunto Douglas Martins de Souza e o Sub-Secretário de Ações Afirmativas, João Carlos Nogueira, participaram de uma coletiva com profissionais da Rede Nacional de Comunicadores para a Promoção da Igualdade Racial, que reúne profissionais de organizações negras e anti-racistas que desenvolvem projetos de comunicação étnico-racial, como é o caso da ONG ABC SEM RACISMO.
O Secretário Adjunto, que substituiu a Ministra chamada às pressas para uma audiência com o Presidente, negou que a Seppir vá ser extinta ou que perderá força na reforma Ministerial perdendo seu status de Ministério. “A Ministra continua Ministra tanto é que está neste momento sendo recebida pelo Presidente”, afirmou.
As notícias dando conta de que a Seppir, bem como as Secretarias da Mulher e de Direitos Humanos perderiam poder na reforma Ministerial tendo circulado com insistência, em Brasília. O Secretário Adjunto admitiu que as informações refletem posições, no interior do Governo, que defendem o enxugamento da máquina administrativa, a partir de uma visão do Estado mínimo.
As informações de que a Seppir será extinta ou perderá status de Ministério tem provocado forte reação nos delegados que chegam à Brasília. Mesmo entre setores do movimento negro que tem críticas a Seppir, a hipótese tem sido fortemente rechaçada.
“A SEPPIR tem tido, neste dois anos, um papel muito importante no sentido de colocar a questão da promoção da igualdade racial na agenda das políticas públicas do Estado brasileiro”, afirmou Douglas Martins.
Na entrevista coletiva, o Sub-secretário João Carlos Nogueira, fêz um balanço da política de cotas nas Universidade. Segundo ele, o sistema está implantado em 17 Universidades Públicas (09 Federais e 08 Estaduais), beneficiando 10.672 alunos. No caso do Pró-Uni, das mais de 112 mil vagas, 48% das vagas foram preenchidas por estudantes afrodescendentes.
Só para se ter uma idéia do impacto das cotas, Nogueira citou dados da Universidade de S. Paulo (USP). De 1933, quando foi fundada a 2.003, apenas 3 alunos negros se formaram na área de Saúde (Biomédica, Medicina, etc.). Apenas no período entre 2.004 e 2.009 a previsão é que se formem 27 alunos.

Da Redacao