O comprometimento que os elegíveis deveriam ter com os afros-descendentes não pode ser considerado atitude passageira. Ao se falar em compromisso com o eleitor brasileiro é lembrá-lo de sua responsabilidade para consigo mesmo e com seus filhos, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, conterrâneos. É lembrá-lo que não adianta reclamar que a política de segurança pública é discriminatória, que o mercado de trabalho é cada vez mais restritivo aos grupos historicamente excluídos.
Para o Planalto, acreditamos que todos os gestores da instância executiva máxima do país terão que dar continuidade ao processo de inclusão da outra parcela da população brasileira na divisão dos benefícios e não somente das contas a serem pagas. Acreditamos que tenhamos que estar mais atentos do que nunca para a falta de ética, de comprometimento, com os acordos a serem ou mesmo que são estabelecidos. Parafraseando Joel Zito, temos que ter sensibilidade e faro para o preconceito étnico e de classe que está por trás de muitas situações que pululam em nosso noticiário cotidiano.
Um olhar atento para as entrelinhas torna-se necessário, da mesma forma que revisitar a história do Brasil e acompanhar os traçados e ramificações das raízes ideológicas das motiv-a-ções que adornam o ideário dos presidenciáveis e seus partidos.
Poucos são os candidatos no estado do Rio de Janeiro que se comprometem com o discurso do empoderamento do negro, que não tem nada a ver com a suposta “divisão do país em dois Brasis”, ilação daqueles que têm medo de perder seus privilégios e de que de fato ocorra a sonhada redistribuição de renda neste país. É verdade que tal divisão existe há muito tempo, só que entre os brancos e os outros.
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro não tem posição formalmente fechada com este ou aquele candidato, nem tampouco podemos dizer que os jornalistas negros cariocas (nossa base sindical) fecharam com determinados candidatos.
Mas, os componentes da coordenação da Cojira-Rio são particularmente firmes em seu propósito de apoiar todos aqueles que tenham compromisso com a luta pela criação e manutenção de políticas públicas para o combate às discriminações étnico-raciais.
Nos desculpamos de antemão em não apresentar todos os candidatos que trabalham em prol desta temática, mas listamos alguns cuja trajetória pessoal e profissional se entrecruzam com as discussões de uma nova realidade para o povo negro.
Senado: Deyse Oliveira (PSTU/161) e Edialeda Nascimento (PDT/122)
Deputado Federal: Edson Santos (PT/1311), Ivanir dos Santos (PT/1355) e Miranildo Cabral (PSB/4005)
Deputado Estadual: Jurema Batista (PT/13663) e Professor Pacheco (PDT/12344).

Sandra Martins