Que há corrupção na Líbia, ninguém nega, como há nos EUA, no Reino Unido, na França, na Itália e pra nossa “surpresa”, no nosso Brasil, governado pelo PT, que construímos com outros propósitos nos anos 80, E que Zé Dirceu desvirtuou sob conivência de Lula e da direção elitista desse partido. O que não se justifica, em nenhum caso.
Nestes anos com a supremacia do neo-liberalismo e a interdependência globalizante das economias locais, muitas nações, na mira das ações militares dos EUA, conheceram o que é a chantagem americana. Especialmente quando o epicentro da crise é o próprio EUA e seus sócios europeus.
Há alguns meses recebi em minha casa um velho militante da revolução angolana. Morador no norte de Angola, esse personagem conheceu todo tipo de opressão para firmar sua nacionalidade, pois parte de sua etnia habita também o sul do Congo. Portanto no Congo são considerados angolanos e em Angola, congoleses.
Dizia me ele que “a negociação do seu governo com os Estados Unidos”, que financiava as armas da UNITA na guerra civil, se deu com a faca no pescoço dos dirigentes de Angola. O governo angolano teria perguntado aos representantes dos EUA: “Porque vocês continuam financiando a guerra civil?”. Ao que os americanos teriam anunciado: “Por que vocês são comunistas!”
Os representantes de José Eduardo dos Santos, cansados da guerra e da estagnação econômica do país, das mortes e da divisão da nação, anunciaram: “Mas nós não somos mais comunistas! O que vocês querem como prova disso?”
Os americanos responderam: “O seu mercado! Que negociem e incorporem no governo as reivindicações da UNITA!”
Pronto, acabou a Guerra! Luanda se transformou em um paraíso para os interesses capitalistas internacionais, americanos, chineses etc.
O mesmo personagem, sério, me disse: “Hoje a lavra do diamante em meu país está estatizada!”
Ao que lhe respondi: “Ótimo, assim os recursos podem ser investidos de modo a beneficiar o povo, no país!”. Ele me respondeu ainda sério: “A filha do presidente é a dona!”
Eu não tinha entendido a piada.
Pois é, foi com a faca no pescoço que os EUA e o ocidente negocioram com José Eduardo dos Santos, com Kadafi e tantos outros. Impondo-lhes os interesses americanos, a mídia capitalista, os novos costumes, as igrejas evangélicas do Edir e outros.
Como diz Dionisio Poey, (em resposta aos artigos que tenho repassado) a questão na Líbia não é se Kadafi é um ditador corrupto ou não! Para os EUA e seus sócios isso não faz a menor diferença. Obama não confia em Kadafi e quer dominar estrategicamente aquela rota estratégica de defesa, e o petróleo, que tem feito a diferença para o povo líbio e os povos da região.
Kadafi também é liderança das nações na União Africana.
Portanto, é de Audeterminação dos povos povos africanos e do mundo, em resolver por si mesmos, em que regime político viver.
Se arvorando em polícia do planeta, Obama, os EUA e seus sócios imperialistas, agem a revelia de qualquer legalidade e multiliteralidade internacional. É como fizeram no Iraque, mentiram como pretexto. Agora sem pretexto, atacam uma nação progressista e autônoma, que defende o continente africano como um estado multinacional e solidário, aos moldes da União Européia.
Os EUA sabem o que isso significa. É uma proposta de defesa das riquezas africana, para os africanos, é por isso ameaçam com destruição e a guerra, tentando assassinar Kadafi. De fato, o controle e o saque do petróleo e dos recursos naturais de qualquer nação insubordinada, é o objetivo americano.
A Guerra na Líbia é para o imperialismo azeitar a sua indústria bélica, superar a crise econômica na qual se meteram e para salvaguardar os interesses sionistas na região. Desta feita, a vítima foi a Líbia, e os lacaios – agentes agressores a mando de Obama – a Inglaterra, França e Itália.
Afinal, as eleições para presidente vêm ai, e os cidadãos americanos não aceitam mais a morte de seus filhos, nas aventuras internacionais de seus governos. Obama tinha lhes prometido isso.
Porque o Brasil e Dilma também se calam frente a essa guerra?
Pela Solidariedade ao povo Libio!
Pelo Fim dos bombardeios naquele pais!
Que os próprios Libios decidam a sua forma de governo!
Fora EUA e o Imperialismo da Líbia!
Que o imperialismo tire a mão do petróleo da nação Líbia!
*O texto original do artigo é “O Continente Africano como um Estado Multinacional e Solidário”

Reginaldo Bispo