A falta de inteligência é evidente: ao não considerar os processos históricos que levaram os africanos e os afrodescendentes em todo o mundo, e em especial em países citados por ele, como o Haiti, a condições de vida subumanas – remetendo tais condições a uma maldição divina – o infeliz Feliciano nega a história como ciência.
Ao creditar tal maldição aos negros, por conta de sermos descendentes da África, ele demonstra considerar-nos menores porque vivemos sob um signo de “azares” e “eventos ruins” em toda a nossa vida. Por assim dizer ele credita aos negros um defeito de nascença. Ou seja: nasceu negro, tem que viver na desgraça.
Além do evidente equivoco teológico, ao interpretar uma passagem bíblica de forma totalmente equivocada e propositadamente depreciativa, o Pastor demonstra desprezo por seres humanos, algo incabível para uma liderança religiosa.
Como Deputado o senhor Feliciano se mostrou desastroso. Um legislador que cospe na Constituição. A Carta Magna indica expressamente que o Brasil deve aceitar todas as manifestações religiosas. Digo isto porque o seu preconceito está claramente atrelado a intolerância religiosa, contra religiões de matriz Africana, o que, a propósito, constitui crime federal.
E, além disso, o Deputado – ele sim, amaldiçoado por se racista em um mundo que contempla tanta diversidade – perde toda a condição de ser um representante isento do povo. Sabemos agora que seu olhar sobre questões legislativas que envolvam, diretamente ou não, o povo negro brasileiro vai estar contaminado por sua visão racista.
Marco Feliciano, ao senhor me resta dizer que a única maldição que paira sobre os africanos e seus descendentes é ter que habitar o mesmo mundo de gente como o senhor. Gente de postura indigna. Gente que utiliza a religião e o preconceito como caminho para a eleição. Gente que não sabe o significado da palavra ser humano.

Romilson Madeira