S. Paulo – Com um desfile ecologicamente correto, a Sociedade Escola de Samba Imperador do Ipiranga entrou no sambódromo, às 4h30 da manhã do domingo (03/02), e fez uma apresentação digna das grandes campeãs.
O enredo versou sobre o universo aquático e seus encantos; o apelo da mãe natureza sobre a conscientização do uso de seus recursos naturais; sinalizou sobre o aquecimento global e a abertura na camada de ozônio; protestou contra a poluição das águas e do ar; apontou para a ganância do homem sobre a obtenção da tecnologia a qualquer custo; alertou para os males provocados pelas queimadas e chamou a atenção de um fato muito importante na vida do ser humano: os animais!
A Agremiação aboliu qualquer tipo de material de origem animal, substituindo pena, pele, couro e pluma, por material sintético em seu desfile, tudo isso em respeito aos animais e em conformidade com o tema escolhido.
No momento em que a Pérola Negra, escola do grupo especial, fazia apologia às agressões sofridas pelos animais, levando rodeio ao sambódromo, a Imperador do Ipiranga fez o caminho inverso e repudiou essa prática. Enquanto muitos choravam e prestavam suas últimas homenagens a um dos maiores símbolos do tráfico e da exploração de animais – o empresário Beto Carreiro, morto na semana passada – a Imperador do Ipiranga conscientizou para a prática de circos sem animais, com a Ala “Circo Legal não tem Animal”.
A Escola ousou, foi mais longe. Abordou um assunto muito importante e de saúde pública, ainda pouco compreendido pela imprensa e por formadores de opinião: a esterilização de animais domésticos (cães e gatos). Levou à avenida a Ala “Esterilização de Animais”, com 100 foliões caracterizados de cães e gatos, com um “X” no abdome, simbolizando a cirurgia de esterilização. Essa prática é adotada como o meio mais eficaz de conter a população de animais abandonados nas ruas das grandes cidades e, conseqüentemente, diminuir o número doenças transmitidas, tanto do homem para o animal quanto do animal para o homem (zoonoses), além da qualidade de vida que o procedimento proporciona a esses seres.
Quem assistiu aos desfiles de São Paulo e do Rio de Janeiro, pode perceber que muitas escolas usaram o meio ambiente e a degradação da natureza em seus enredos. Mas, só a Imperador do Ipiranga teve a sensibilidade de inserir o animal em seu tema principal. A direção da escola acreditou na proposta e o Movimento de Proteção Animal se mobilizou, levou seus ativistas e simpatizantes ao sambódromo, protagonizando algo nunca antes pensado.
Vieram protetores do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e de várias cidades do Estado de São Paulo, ao inédito desfile que deu o start ao bem-estar dos animais no maior evento da terra.
A iniciativa de abordar o protecionismo animal no carnaval, não só atendeu as expectativas dos protetores, como proporcionou à comunidade de Paraisópolis (local da escola), durante todo o ano de 2007, a conscientização para o bem-estar dos animais e atendimentos médico-veterinários em campanhas gratuitas de esterilização.
Por todos esses motivos o Movimento de Proteção Animal, independentemente do resultado dos jurados, considera a Sociedade Escola de Samba Imperador do Ipiranga, Campeã do carnaval de 2008, pelos quesitos: Ousadia, ineditismo e sensibilidade. E agradece aos diretores, carnavalesco e comunidade, pela audácia, compreensão e coragem, em aceitar o desafio de levar o recado ao Anhembi que: “A Salvação do Planeta é o Bicho”.
Por: Eufrate Almeida
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