No Brasil temos uma terrível percepção sobre algumas leis que não funcionam e assim o dito popular fala que são "leis que não pegam". O Estatuto de Igualdade Racial no que diz respeito à mídia, vai ser mais uma?

Tendo como principio básico o respeito aos nossos mais de 750 mil internautas/mês, e querendo prestar cada vez mais um serviço de qualidade, destacamos a ausência de políticas públicas para a mídia e alertamos para uma situação de possível fechamento de alguns meios de comunicação como já tivemos em um passado não muito distante, além da situação dos que se mantém sem estrutura e não tem como investir na qualidade.

As mídias alternativas sobrevivem por conta própria e, na maioria das vezes, são elas que mais atingem o público alvo, sendo que as demais, contam com apoio dos Governos, mesmo divulgando de vez em quando as ações e nem sempre atingindo o publico focado.

Nosso objetivo é contribuir para modificar profundamente esta realidade, podendo, assim, ajudar a todos os nossos meios de comunicação alternativos a prestarem cada vez melhor um serviço profissional e de qualidade.

Agora vamos mostrar algumas formas de atendimento, que as agências de publicidades tem como padrão, sempre com o mesmo resultado: a discriminação.

Como fazemos todos os anos, mapeamos as propagandas publicitárias atuais e localizamos as agências responsáveis, entramos em contato com algumas da iniciativa privada, mas o que é trágico é o que acontece com as que tem as contas do Governo federal.

Escolhemos apenas duas empresas que prestam serviços a Bancos governamentais para ilustrar. Quero destacar que entramos em contato com várias outras ligadas aos ministérios também. Não vamos citar nomes, porque o que acontece é geral e o objetivo não é desmascarar ou humilhar ningém, mas mostrar a realidade do que passamos no dia a dia com todas agências.

 

Uma das agências, nos respondeu que, no momento, não teria nenhuma campanha disponível e quando tivesse faria contato. Essa tem sido a resposta padrão nos últimos anos, ou seja: sempre. Detalhe: é só ligar a TV, abrir o Jornal ou mesmo entrar em alguns sites e ver uma nova campanha dos bancos federais, quase que mensalmente. Só essa resposta, que é corriqueira, já poderia nos deixar indignados, mas a coisa pode ser ainda pior. Veja a próxima.


Entramos em contato com outra agência. A resposta que tivemos merece destaque pois nos informou que seu cliente não colocou no briefing (que é uma peça fundamental para a elaboração de uma proposta de pesquisa de mercado) a população negra.

Algumas vezes até nos colocam como classe média, mas as agências de publicidade entendem que o negro ainda não faz parte dessa classe. Isso mostra a visão que ainda existe e é muito forte no meio publicitário, que o negro não consome, e pior, reforçada pelos Governos que não cobram mudança de postura.

Como podem notar, a prática perversa que ainda existe de discriminação na mídia demonstra que o Estatuto da Igualdade Racial  corre o risco de ficar no papel, de ser apenas uma "lei prá não pegar" como as outras muitas existentes no ordenamento jurídico brasileiro. É preciso mudar esta realidade: vamos acabar com o discurso e adotar ações na prática.

Washington Lucio Andrade