Queens, Nova York – Aproximadamente 9 crianças morrem diáiamente no fétido e super lotado acampamento para refugiados no novo país chamado Sudão do Sul. Tudo por causa de um simples caso de diarréia. Segundo os repesentantes da ONU, eles estão acelerando os esforços para evacuar as crianças deste ambiente deplorável.

Chuvas fortes, latrinas tranbordando, e a entrada diária de pessoas doentes e famintas, certamente estão ajudando a criar uma situação à beira de um desastre epidemiológico, com um índice de mortes o dobro dos níveis considerados emergenciais, de acordo com o grupo “Doctor Without Borders” (Doutores sem Fronteiras). Os refugiados chegam diáriamente em grande quantidade ao acampamento Jaman que fica exatemente na fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul, o mais recente país, criado em 2011.

Até o momento, esta situação certamente volátil está longe de ser resolvida. De acordo com fontes de notícias internacionais, tanto os rebeldes como o governo prometeram seguir lutando. Neste clima desesperador, quem mais sofre são as crianças que acabam sendo usadas tanto pelo governo local como tambem pelos rebeldes.

Os representantes das Nações Unidas disseram recentemente que eles estavam relocando refugiados para áreas menos precárias, porém, nos últimos meses tiveram que parar as relocações para responder a um repentino influxo de refugiados que apareceram repentinamente na fronteira, e tiveram que ser guiados para fora da zona de conflito o mais rápido possível.

A ONU está se preparando para relocar um grupo de mais ou menos 4 mil refugiados para um acampamento onde pelo menos é possível beber água potável.

O acampamento de Jaman, situado naquilo que poderíamos chamar de um pântano, foi castigado recentemente com fortes chuvas, o que causou a queda de várias tendas, fazendo com que as precárias latrinas transbordassem espalhando fezes pelo acampamento onde estão mais de 30 mil pessoas, e com isto, contaminando o já precário suprimento de água potável. Muitas crianças estão morrendo por causa da desidratação causada pela diarréia, dizem os trabalhadores no acampamento.

Se não bastassem estes problemas com a relocação, um outro fator esta impedindo uma mudança mais rápida: as bombas plantadas em vários locais. “A situação no acampamento Jasman é simplesmente ingerenciável”, disse Michael R. Golfarb, um porta voz da organização Médicos sem Fronteiras. Ele disse tambem  “que todas as pessoas envolvidas neste conflito devem encontrar melhores opções”.

Os dois países estão num impasse profundo desde a criação do Sudão do Sul, em 2011. Ao que parece, nenhum dos impasses recentes serão resolvidas prontamente.

Enquanto isto, milhões de crianças desacampadas estão fugindo destes conflitos para as montanhas na região de Nuba localizada no sul do Sudão. Esta situação com toda certeza nos faz lembrar do êxodo das crianças perdidas (Lost boys) no anos 90 andando à esmo de um lado para o outro procurando por acampamentos para refugiados.

Para complicar ainda mais a situação precária entre os dois paíes, eles ainda estão num impasse com relação a divisão dos royalties dos campos de petróleo localizados predominantemente no Sudão do Sul. Esta disputa tem praticamente paralizado os dois países. As mortes continuam e, Khartoum, a capital do Sudão, com policiais atirando gás lacrimogênico nos demostradores, aprisionando e batendo nos cidadãos.

Uma Nação em ruínas

Em 1993, ou seja, há exatemente 20 anos, no começo da administração do presidente norte americano Bill Clinton (1992-2000), tropas militares norte-americanas foram despachadas para o extremo leste do continente africano, mais precisamente para a Somália para tentarem colocar um pouco de ordem no caos reinante.

Na época, o Exército norte-americano foi humilhado com a famosa derrubada do helicóptero “Black Hawk” , juntamente com os soldados mortos sendo arrastados pelas ruas de Mogadishu. Dezoito soldados norte-americanos morreram neste conflito. Os rebeldes locais estavam sob a liderança de um tal de Mohamed Farah Aidid, supostamente um general e tambem ex-diplomata, que viria a falecer três anos depois deste episódio.

A Somália tem sobrevivido sem qualquer forma de governo há mais de 20 anos, um recorde na época atual. O precário governo implodiu em 1991, e desde então, ninguem, nem mesmo os déspotas locais, os grupos de anciãos, os sheiques religiosos, ou os tecnocratas apoiados pela ONU conseguiram reconstruir o país.

A Somália talvez seja um dos países mais homogêneos do planeta . Quase 100% de sua populacao fala a mesma língua, e segue a mesma religião, o islamismo suni, e pertencem ao mesmo grupo étnico. Porém, por alguma razao (a culpa, é claro cairá sobre o Ocidente), o país se dividiu em pequenos clãs, sub-clãs etc. Depois que o governo foi removido, o país ficou a mercê dos déspotas locais.

Wigil, no extreme leste da Somália é um vilarejo onde não há água corrente, nem eletricidade, e tampouco televisão. Isto, em pleno século XXI. Isto representa o total isolamento do país. Sua rua principal está cheia de esqueletos de camelos, maços de cigarros vazios e estrume de burro. Em certas partes da África, com toda, certeza o buraco acaba sendo sempre mais em baixo.

 

 

Edson Cadette