Desde a infância sou fã de fórmula 1, lembro-me ainda criança a vibração no primeiro título do Brasil vencido por Emerson Fittipaldi. A paixão pelo esporte só aumentou com a chegada do maior piloto de todos os tempos, Airton Senna, e esfriou após sua morte.

Para justificar o desentusiasmo, comecei a analisar todos os defeitos da competição, da falta de segurança (bastante acentuada antes da perda do piloto brasileiro) a atmosfera extremamente perniciosa dentro e fora dos boxes expondo o que há de mais nocivo no mundo capitalista, onde vence quem mais tem dinheiro para competir, acentuadamente, o mundo branco e masculino.

Mas a paixão pelo esporte retornou com a estréia de Lewis Hamilton, que em alguns aspectos lembrava Airton Senna. Nesses anos em que voltei a acompanhar a fórmula 1 e a performance do inglês, percebi que no início da carreira a imprensa ressaltava Hamilton por ser o primeiro negro na competição, fato esse que passou a ser desconsiderado quanto mais o piloto galgava sucesso. Foi como se o jovem aos poucos perdesse a cor ou embranquecesse como a cor da competição, e hoje raramente se ouve dos comentaristas e narradores o termo piloto negro. Parece que ele não tem mais cor.

No último domingo, assisti a corrida em que o Hamilton teria uma difícil tarefa, afinal, a colisão nos treinos de classificação o colocou na última posição do grid, fazendo com que o pódio se tornasse um sonho quase impossível de se alcançar. Mas não para o genial piloto, que em uma corrida espetacular conseguiu chegar em terceiro no pódio, façanha única na historia do circuito alemão.

Quanto aos comentaristas (como já esperado) ressaltaram muito a vitória dos alemães que chegaram em primeiro e segundo lugar. Destaque para o comentário de Rubinho Barrichello ao falar que se o inglês tivesse mais paciência chegaria em segundo lugar, ou seja, mesmo sendo genial, parece que sempre falta algo para os afrodescendentes serem bons o bastante. Parabéns Hamilton, o melhor pilotos de fórmula 1 da atualidade.

 

Maurício Pestana