Apesar do racismo que conhecemos razão única da própria existência do próprio Movimento Negro que Resende atua, Heraldo em 2002, foi destaque, pois estava rompendo barreiras para orgulho de todos afro-brasileiros, pela primeira vez, um homem preto apresentava o mais importante jornal da TV brasileira: o Jornal Nacional. http://www.terra.com.br/istoegente/ 174/reportagens/heraldo pereira. htm – (Isto é Gente, 02/12/2002) “O sábado 23 foi um dia atípico na vida do jornalista Heraldo Pereira. Ele acordou por volta das seis horas, tomou café da manhã duas vezes e foi à igreja. O único hábito rotineiro foi a feijoada no almoço. Mesmo assim, não conseguia fazer o tempo passar. “Queria que o jogo começasse logo”, diz. Somente às 14h chegou à Rede Globo, onde apresentaria o Jornal Nacional em sua primeira participação nos rodízios de fim de semana. Sua estréia foi cercada de mais expectativa do que o normal: Heraldo se tornou o primeiro negro a se sentar na famosa bancada. “Sinto orgulho de ser negro e de apresentar o Jornal Nacional”, diz ele, que repetiu a dose nos dias 25 e 26. Num país de maioria negra como o Brasil, o fato não deveria causar espanto, mas são raras as oportunidades dadas às pessoas da raça. “O Brasil é racista”, afirma Heraldo Pereira, 41 anos. “Todo negro sofre preconceito. Ande atrás de uma mulher com bolsa para ver. Já passei por isso, passo e passarei”, diz.
A imputação de ofensas raciais degradantes como de “capitão-do-mato” ou “negro-de-alma-branca” feita por Paulo Henrique, da TV Record e do blog “Conversa Afiada” sob o pretexto de Heraldo não militar ostensivamente na defesa da segregação de direitos raciais é um absurdo.
Mais ainda a defesa do agressor, em nome do movimento negro. As centenas, quase milhares de comentários de apoios ao ofensor, revelam o quanto a presença de afro-brasileiro ocupando o relevante destaque no jornalístico incomoda às elites, seja de direita ou de esquerda.
A falta de melhor argumentação para a defesa de cotas raciais conduz o debate ao confronto e ataques pessoais e aleivosias amorais dessa monta. Na defesa de políticas raciais bastaria, se tivessem, a boa argumentação que, como diz Obama, não pode ser na base do chororô e da vitimização que reduzem, ainda mais, a auto-estima dos afro-descendentes.
Infelizmente, ouvi dizer que Heraldo também apóia as cotas sociais, porém, não é um militante da causa, razão do ataque raivoso e dos apoios suspeitos. Porém, ninguém, nenhum profissional de qualquer área tem o dever de engajamento em demandas políticas, quaisquer que sejam.
Milton Santos, que muitos abusam de citá-lo, confidenciava aos interlocutores que ficava muito contrariado com a insistência para que ele fosse um militante do Movimento Negro e ele costumava brincar: não sou obrigado a ser militante de nada além de minhas idéias que já são muitas.
Talvez o único debate formal de que participou como debatedor, ou um dos únicos, com o movimento negro anti-racista, tenha sido na nossa Comissão de Negros e Direitos Humanos da OAB/SP, em 1997, e ao aceitar o convite, impôs como condição a ressalva de que aceitava ir à OAB na condição de intelectual e não na condição de afro-brasileiro.
Em apoio a Heraldo, contra a segregação de direitos raciais, está o fato relevante que ela exige a produção artificial de raças estatais – raça negra para incluir e branca para excluir – com a legitimação estatal da classificação e hierarquia racial, além de trazer implícita a violação à dignidade humana de todos os afro-brasileiros com a presumida inferioridade declarada pelo estado.
Significa, à médio prazo, liquidar com a auto-estima dos beneficiários como fizeram as leis raciais com os afro-americanos, além de induzimento a pertencimentos raciais e seus ódios inerentes e bem conhecidos, que não interessa ao combate do racismo.
O estranho ainda é que na mesma situação do Heraldo encontra-se mais de 2/3 dos afro-brasileiros que são contrários a segregação de direitos raciais, 70 milhões de pretos e pardos, que não aprovam às cotas raciais conforme a única pesquisa exclusiva publicada em 19/11/2008 – CIDAN/IBPS – realizada no Rio de Janeiro onde, desde 2001, vige lei de cotas raciais: 62,3% dos pretos e 64,1% dos pardos se posicionam contra as leis de segregação de direitos raciais. (essa pesquisa foi escondida pelos ativistas racialistas que a encomendaram): está aqui http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83 ). Somos todos “Negros de Alma Branca”.
Que Paulo Henrique, por motivos pessoais – histórico-profissionais – faça a ofensa racial compreende-se. Cabe à vítima, como fez Heraldo, levá-lo às barras dos Tribunais. Porém, totalmente equivocado que um pretenso lider afro-brasileiro que se propõe a combater o racismo faça a defesa dessa ofensa racial dirigida a importante personalidade afro-brasileira pelo simples fato dele e de milhões de outros não fazerem a apologia da segregação de direitos raciais.
A trajetória de Heraldo sem privilégios de berço e enfrentando toda a máquina racista que tão bem conhecemos, merece respeito e deve ser louvado por quem queira ser um verdadeiro anti-racista.
O artigo de Marcos Resende, invocando as palavras do então radical Malcolm X que tinha o propósito de dividir a luta dos afro-americanos liderados pela doutrina pacifista do Dr. Luther King, não condiz com a realidade dos afro-brasileiros nem guarda fidelidade histórica.
O sonho sonhado pelo Doutor King era o fim das leis de segregação racial. O de Malcolm era o ódio e o confronto racial com a tese da revolução racial com o uso de todos os meios, inclusive da violência racial. Porém, o próprio Malcolm X, alguns anos depois, após sua peregrinação a cidade sagrada de Meca abandonou o radicalismo da Nação do Islã, renunciando ao radicalismo racial e declarou o arrependido de seus erros.
O mesmo radicalismo que ataca e destrói reputações de irmãos e que norteia Resende neste episódio, inclusive atacando a afro-brasileiros que, tal como Martin Luther King queiram apenas a luta pela dignidade humana e nenhuma luta racial.
Para se compreender o grau de ódio que os discursos raciais produzem, ao desistir do ativismo pelo ódio racial, em sua famosa Carta de Meca dizendo que a partir dali passava a lutar pela humanidade dos afro-descendentes e pelos ideais socializantes de direitos universais.
Malcolm também foi rotulado de traidor dos ideais raciais – foi designado por coisas piores do que “negro de alma branca” – e acabou sendo covardemente assassinado por pretos radicais que, tal como Resende, almejavam a qualquer custo, a condição de lideres “raciais”.
Não é assim que faremos o bom combate ao racismo. Não será com a artificial criação de uma “raça negra” estatal, através da inescrupulosa manipulação estatística, violando a voz dos pesquisados com a soma dos auto-declarados pretos e pardos, retirando-lhes a identidade humana para a imposição de uma identidade jurídica racial. Não será assim que construiremos a igualdade e harmonia social que sonhamos.
Como dizia o saudoso Milton Santos, tantas vezes invocado em sua insuperável ausência: “nós não queremos pertencimento racial. Queremos apenas que sejamos considerados em nossa inteira humanidade. Não precisamos abrir mão de nossa “relativa” tolerância racial. Não preciso ser um afro-brasileiro, quero ser visto apenas como um brasileiro. Um brasileiro comum”.
Nas palavras de nosso maior intelectual não era militante de nada além de suas próprias idéias que eram muitas: http://www.youtube .com/watch?v=xp9_fPuYHXc
Como ativista contra o racismo considero inadmissível que o estado faça segregação de direitos raciais, pois isso implica na legitimação de “raças” estatais e da crença na divisão e classificação racial dos humanos o que vem na contra-mão da luta contra o racismo.
Somos a ampla maioria de afro-brasileiros, favoráveis às cotas sociais em que os pretos/pardos pobres competirão em igualdade de condições e dignidade com os demais pobres oriundos do mesmo ambiente social. Também é inadmissível que o movimento negro apóie quem desfira ofensas raciais, desqualificadoras, a qualquer afro-brasileiro que tenha dignidade.
Por fim é bom que se diga: suspeita-se, com razoáveis razões, que as cotas raciais por leis de segregação de direitos raciais que unem Paulo Henrique e Marcos Resende seja mesmo um projeto imperialista a cargo das Foundation’s denunciadas desde 1998 no meio acadêmico.
Essas Foundation’s, tem revelado a história com a revelação de documentos sigilosos do Governo dos EUA sempre foram o braço civil da inteligência norte-americana. Todo analista sabe que em cinqüenta anos o Brasil será uma potência mundial em disputa com os Estados Unidos.
O projeto ianque, então, seria nos retirar aquela relativa tolerância, uma vantagem demográfica que jamais conseguirão. O que justificaria os milhões de dólares, investidos todos os anos, desde 1990, nas universidades para formação de lideranças raciais, políticas e acadêmicas.
Configura-se, no apoio de Resende em nome do Movimento Negro, com o alinhamento do movimento ao agressor de um digno afro-brasileiro, apenas pelo fato do ofensor ser aliado das políticas de cotas raciais de inspiração iaque.
A principal característica desse tipo de política pública em bases raciais é que foi inspirada no Brasil pelo progressista Senador Sarney, na época do PFL/MA. Portanto, além do patrocínio por milhões de dólares das Ford Foundation’s, o esforço de racialização no Brasil conta com os vínculos reacionários e populistas da direita norte-americana, de Sarney até Antonny Garotinho.
O próprio Paulo Henrique em sua defesa oral no processo movido por Heraldo, confessa que ele próprio, residente por muitos anos nos Estados Unidos, tenha sido lá convencido das vantagens das leis de segregação de direitos raciais, não se sabe ainda, se foi alguma Foundation ou se foi a própria CIA que o convenceu.
Neste episódio, de todo lamentável, com a palavra o “Movimento Negro”.
O título original do artigo é “O movimento negro apóia as ofensas racistas a Heraldo Pereira?”
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José Roberto F. Militão