Pela posição reativa do Governo e dos partidos e organizações controladas pelo PT e PC do B, bem como de alguns intelectuais e militantes de sua área de influência contra todo movimento que eclode fora de seu controle e questione os limites das suas políticas para a classe trabalhadora, o que parece é que as contradições de classe acabaram e todos que se mobilizam contra as condições de trabalho e exploração são traidores dos companheiros que estão no Governo ou massa de manobra da direita.

Enquanto isso o Gverno de coalização, liderado pelo PT, PC do B e seu braço no movimento sindical, tentam administrar os conflitos entre exploradores e explorados no Estado neoliberal, agradando os setores dos banqueiros , agronegócio, indústria automobilista e das empreiteiras e dando migalha ao pobres, o que remonta um estilo de politica, guardadas as devidas proporções, do trabalhismo e populismo da época de Getúlio Vargas com sua política de manipulação das massas e cooptação dos atrapalhadores nas décadas de 30 e 40 do século passado, com a inestimável ajuda dos diretores sindicais, os chamados pelegos.

Não por acaso, a politica econômica neodesinvolvimentista do Governo atual que, começa a dar sinais de esgotamento com a crise mundial, dá continuidade a uma politica desenvolvimentista inaugurada por Getúlio que contava com o apoio de setores da burguesia nacional.

Contudo, ao contrario dessa época, hoje esse Governo de coalizão atende interesses também de empresas transnacionais e é liderado por uma partido que abriu mão de um projeto marxista de ruptura da relações de dominação capitalista, para administrar o Estado capitalista, aliando-se também aos setores da burguesia e fazendo o jogo da política tradicional para conquistar o Governo e se manter nele.

O que não podem impedir é que, mais cedo ou mais tarde, os conflito entre os interesses da burguesia e do proletáriado eclodam e coloque em cheque o projeto político de conciliação de classes e manutenção da dominação dentro da zona de controle politico e ideológico das elites . 

Walter Altino