Lázaro, que apresenta o programa Espelho, no Canal Brasil, falou com exclusividade ao correspondente de Afropress, em Nova York, Edson Cadette. Na conversa, por telefone, ele trata da influência da cultura africana na Bahia e em como se sente sendo uma referência para a nova geração de atores e atrizes negras no Brasil da democracia racial. Disse que Milton Gonçalves, ator negro também da Globo, “é uma inspiração” e também tem Morgan Freeman como referência.
Leia a entrevista, na íntegra
Afropress – Você poderia falar um pouco das suas origens, em outras palavras: onde nasceu, sua família, onde estudou?
Lázaro Ramos – Eu nasci e cresci num bairro classe média baixa, em Salvador. Sou filho único e até o final da minha juventude morei com meus pais. Durante algum tempo vivemos entre dois bairros de Salvador.
Afropress – Qual foi o livro que mais o influenciou na sua juventude? Por que?
Lázaro – Na verdade, eu sempre li durante a minha juventude, livros que eram sugeridos na escola, aqueles dos autores nacionais, como Machado de Assis, José de Alencar, Raul Pompéia, etc. Não tive assim nenhum livro que realmente tivesse me marcado.
Entretanto, um livro que me marcou muito foi a biografia do Nelson Mandela, mas quando eu li este livro eu já era um jovem adulto. História dos negros do mundo e brasileiros, na verdade não faziam muito parte do curriculum escolar ou da cartilha de livros no Brasil.
Eu, por exemplo, vim a saber do Zumbi dos Palmares já com 17 anos, quando fui fazer espetáculo de teatro. Hoje em dia é que esta literatura é mais inserida nas escolas e no cotidiano das pessoas. Inclusive, é a partir de uma Lei que é a Lei 10.639, que indica que se ensine a história de todos os negros do Brasil nas escolas no ensino médio e superior, né?
Há muitas dificuldades em implementar um curriculo com este tema, mas pelo menos a indicação já existe. Na minha época de escola nem se falava sobre isto, nem se questionava.
Afropress – Você tem alguma formação universitária? Em qual área?
Lázaro – Não, não. A minha formação universitária foi iniciar a Faculdade de Bioquímica, mas eu abandonei porque aí já comecei a trabalhar intensamente no teatro. E aí percebi que eu não iria ser um bioquímico nunca. Felizmente a tempo.
Afropress – Sua carreira artística sempre foi sua primeira opção desde adolescente, ou como milhões de jovens negros no Brasil, você também teve o sonho de ser jogador de futebol algum dia?
Lázaro – Não, não cheguei a ter sonho de ser jogador de futebol. Minhas expectativas eram outras. Eu achava que iria fazer Medicina, tanto é que me formei como técnico em Patologia. Para trabalhar em Hospitais públicos. Na verdade, ser ator não era um objetivo profissional por vários motivos. Primeiro, porque o mercado de trabalho tinha poucos; segundo, porque o que eu via sendo feito na Dramaturgia brasileira eu não me inseria. Eu não via personagens que quisesse fazer quando assistia uma novela. Mas, depois como a profissão foi me dominando, eu sabia que eu gostaria de ser ator sempre. Mas não sabia se seria o meu sustento. Porque eu pensei assim: se eu tiver que ter outra profissão para continuar, eu farei isto.
Afropress – Você acredita que o sonho do jovem negro brasileiro em ser jogador de futebol é um sintoma forte de que as oportunidades intelectuais para os negros ainda são raras no país que se diz uma democracia racial?
Lázaro – Olha, isso aí é uma pergunta complexa e merece uma resposta complexa também. Eu acho que o jovem negro, se a gente for falar, mas eu não gosto de falar do jovem negro porque perde um pouco da individualidade. Mas, ao mesmo tempo tem uma parte da juventude negra que com a discussão das cotas, que com o posicionamento de várias pessoas, na aceitação da sua raça, já tem uma postura de buscar outros mercados de trabalho.
Claro que, as oportunidades ainda são muito poucas. Mas o sonho do jogador de futebol é absolutamente compreensível, né? Você ganha dinheiro rapidamente, tem vários exemplos de várias pessoas e é natural que isto aconteça. Mas, o país ainda é um pais de poucas oportunidades, pouca expressão do negro em todos os mercados de trabalho, né? Não só na área esportiva ou artística, mas hoje em dia eu sinto que isto é um assunto falado e que a comunidade negra cobra isto, deseja isto e está se preparando para isto. Meu grupo de Teatro é um grupo que está sempre falando deste assunto.
Afropress – Hoje em dia o ator Lázaro Ramos é conhecido não só no Brasil, mas também no exterior. Você poderia falar para nossos leitores qual foi sua principal inspiração para ser ator de televisão? Você se inspirou em algum ator quando era mais jovem?
Lázaro – Olha, há alguns atores que eu admiro especialmente. Alguns brasileiros e outros estrangeiros. Por exemplo: Milton Gonçalves é uma grande inspiração. John Leguizamo é um ator que admiro muito. Sean Pean é um ator que admiro muito. O próprio Morgam Freeman é um ator que, pela postura dele, eu sempre vi como uma referência. Mas esta minha referência não era para fazer televisão. Essa referência era mais para o cinema e teatro. Na televisão, eu tinha uma grande dificuldade de me ver inserido. Tanto é que eu nunca tive planos de fazer televisão, de fazer novelas. Meu plano de carreira sempre foi fazer cinema e teatro, que foram os lugares que eu senti uma abertura maior para o ator que eu sou. Hoje em dia, após alguns trabalhos que fiz na televisão e no cinema, tem um geração de atores que vem depois de mim que já se espelham no meu trabalho e dizem: poxa, se ele conseguiu talvez eu também consiga e vou batalhar para isto. Eu acabo sendo praticamente uma referencia neste sentido também.
Afropress – Você enfrentou algum obstáculo quando você começou que você pensou em desistir da sua vocação artística ou não?
Lázaro – Olha, eu na verdade sou fruto de um grupo de teatro que tinha uma preocupação específica em abrir mercado de trabalho para atores negros. Venho de um grupo chamado “O Bando de Teatro do Oludum” que surgiu em 1990. E surgiu em 90 por dois motivos principais: para abrir mercado de trabalho para vários atores talentosos e que não tinham a oportunidade de trabalhar constantemente em teatro e viver qualquer tipo de personagem. E o outro, para criar uma dramaturgia que desse conta da demanda da população negra. Isso é o trabalho do “Bando de Teatro Olodum”. Ou seja, estar nesse grupo fez com que, de alguma maneira, eu estivesse protegido, né? Porque eu estar entre os meus, entre pessoas que pensavam como eu tinham um objetivo comum, onde eu pude me exercitar como ator em todo tipo de trabalho, de dramas a comédias, de coadjuvante a protagonista. Então, dentro deste grupo eu estava muito feliz. O meu trabalho teve uma visibilidade que um outro diretor de Pernambuco chamado João Falcão me chamou para fazer um espetáculo de teatro onde o trabalho do ator era o principal e onde eu estava com quatro outros atores que eram brancos, mas com a oportunidade de mostrar o trabalho igual. A partir deste espetáculo eu já passei a fazer um filme que me deu uma projeção muito grande, nacional e internacionalmente, que foi o “Madame Satã”.
O “Madame Satã” teve uma força tão grande que acho que me protegeu um pouco neste sentido, ou seja: eu sou uma exceção. Eu acho importante falar isto porque, na verdade, atores aqui no Brasil, mesmo que tenham esta oportunidade de estar inseridos no mercado de trabalho desta maneira, são pouquíssimos.
Eu sou, na verdade, uma exceção. E com isto sou apontado diferente. Mas, os meus pares, meus amigos do meu grupo de teatro, outros atores que eu encontrei pelo caminho não tem esta mesma trajetória.
Afropress – O legado da ligação entre o Brasil e a África está praticamente em todas as áreas da Cultura brasileira como a gente sabe. Entretanto, a Bahia ainda mantém um vínculo muito forte com certas tradições do continente africano. Você acredita que estas tradições são uma maneira do negro baiano manter sua alto estima num país que valoriza a cultura negra e africana somente durante o veão carnavalesco?
Lázaro – Mas, com certeza. Acho sim. Acho que é uma maneira de defender e preservar sua identidade, né? Eu, por exemplo, não acho que nós devamos ser africanos, e ver e ser como os africanos, mas eu acho importantíssimo preservar e conhecer sua história. Porque a teoria do embranquecimento, no final do século XIX e começo do século XX dominou o país e ainda deixou fortes resquícios. Ou seja, para o país dar certo teríamos que seguir padrões europeus. Isto é uma inverdade, né? A valorização das distintas culturas, que é o que nos somos no Brasil. Nós somos um país de distintas culturas. Nós valorizarmos todas elas. E eu acho que, ou intuitivamente, ou porque, bom isto aí só um antropólogo para explicar, né? A cultura africana é tão forte na Bahia que isto acabou que virou um valor, né? E eu acompanhando eu sinto muito isto. E falo isto, inclusive, com comparação, né? Porque eu moro no Rio de janeiro, já morei em São Paulo e transito por várias áreas pelo Brasil. É especifico na Bahia e, talvez, no Maranhão um pouco. Mas, na Bahia tem uma busca por preservar esta identidade como arma de auto estima, né? Claro que, que tem pontos negativos também, né? Porque às vezes tem alguns momentos, isto fica mais evidentes nas festas, né? Mas, hoje em dia espero que isto também seja uma maneira de contar as histórias nas escolas. Maneira de se estudar a Arquitetura do Brasil, que a gente fala pouco disto, mas África deixou um legado na Arquitetura muito grande, né? Na formação e maneira de construir casas, né?
Afropress – Nós estamos no começo do século XXI, fora das novelas de época da escravidão, onde o numero de atores negros é grande, mas a história sempre gira em torno da personagem branca. Ainda continua sendo difícil para o ator negro encontrar papéis com o qual ele(a) se identifique e conte sua visão da história.Você acredita que a falta de escritores, dramaturgos e roteiristas negros seja um grande impecilho para que a história do negro brasileiro seja melhor representada?
Lázaro – Ah! Mas com certeza, né? Porque afinal de contas a Dramaturgia no geral, e aí eu não vou falar somente de novela não. Falo também de cinema, né? Que é uma coisa que está crescendo muito aqui no país, e teatro, que tem um público mais reduzido, mas que ao mesmo tempo, tem uma maneira de contar a nossa história. Eu acho que nada disto é feito somente com ator. O ator, na verdade, no fundo, no fundo é a última ponta da jóia. É o último lugar. Você chega lá, o peixe está trabalhado. A história já foi contada e, muitas vezes, ele está ali só para defender seu pão do dia a dia. O grande problema que eu vejo é a falta de importantes diretores negros, de atores negros, de iluminadores negros, de figurinistas negros, tudo isto é importante. A maneira de se vestir, a maneira de contar uma estória, a maneira de iluminar, e a maneira …
Então, a coisa que, por exemplo, diretores negros que conseguem, né? No sistema nacional realizar seus filmes são pouquíssimos. Na verdade, são dois: Joel Zito Araújo e Zeca, que fez seu filme agora. Tem vários diretores que eu sei, que tem vários projetos belíssimos e que não tiveram seus projetos aprovados.Teve um aparecimento de vários atores negros e o desenvolvimento do tema foi violência urbana. Se fosse um diretor negro que fosse tratar deste assunto, iria tratar como? Por exemplo: o Jefferson D Fez um filme que já há algum tempo trata disto também. Estou curiosíssimo para ver. Para ver a maneira que ele abordou este assunto, né? Porque a maneira de dar um microfone para uma pessoa que vê este assunto, talvez de mais perto, ou talvez de uma outra maneira.
Afropress – Qual seria a solução para este problema? Esta falta de pessoas negras em todas estas áreas. Qual seria a solução, na sua opinião?
Lázaro – Olha, se eu soubesse eu escreveria um livro agora e ganharia fortuna. A solução, na verdade, é a gente continuar sempre fortalecendo a nossa identidade, sempre cobrando, sempre falando, sempre. Acho que ajuda muito aquelas pessoas que já tem o microfone na mão se posicionarem porque tem a visão das pessoas. E acho que é uma questão de identidade mesmo, da gente fortalecer a nossa identidade. Esta identidade mista que nós somo de todas as maneiras. De todas as maneiras. Acho que não só num setor. Só no setor artístico. Acho que é no setor Judiciário, acho que é no setor Legislativo, acho que e no setor esportivo também. É um esforço, que eu acho que deve ser feito em conjunto, porque, na verdade, trata-se de levar o nosso país para frente. Falando isto parece que é uma discussão social, mas na verdade não, eu acho que e uma discussão tecnológica. O Brasil é um país em crescimento e precisa de talento, e talento pode surgir em qualquer lugar, qualquer credo, em qualquer etnia.
Afropress – Em cima daquilo que você acabou de dizer, quando realmente o negro brasileiro começar a brigar em pé de igualdade com o branco brasileiro, vai começar realmente a haver atrito? Porque os espaços praticamente são preenchidos pelas pessoas brancas no Brasil. O negro não tem espaço como a gente sabe. Então, quando ele começar realmente a procurar seus espaços de igual a igual com o branco brasileiro vai realmente acontecer o atrito?
Lázaro – Não, não. Não vejo isto não. Não vejo isto não. Este país aqui, é um pais pronto. O Brasil tem o talento. Por mais que as pessoas, eu acho que talento, a nossa origem, a nossa história faz isto, nos dá esta capacidade. E o país também sabe que precisa disto. E, inclusive, acho que não é uma questão de briga, não. Eu acho que numa situação tão grave como esta, todas as armas são aceitas. Acho que tem que ser a arma que mais convir à pessoa e que a pessoa se sinta mais confortável para contribuir para a melhoria do país.
Afropress – Na novela “Duas Caras” seu personagem Evilásio, numa cena estava tomando café da manhã, quando surge um papo sobre negritude. A outra personagem negra diz, claramente, que sua mãe era negra, mas que ela no máximo era “morena”. Você acredita que esta negação da negritude por milhões de negros no país seja um dos grandes problemas que o negro enfrenta porque ele ainda tem enraizado na sua mente o complexo de inferioridade por causa da história da escravidão e também por sua cor?
Lázaro – É claro. Quando é que foi bom ser negro neste país? Agora que estão discutindo cotas. Tem gente que quer ser negro para poder entrar na Universidade. Mas o país nunca disse que era bom ser negro, a não ser que fosse no Carnaval e nas festas, né? É natural também que a pessoa não queira ser negro. Ninguém quer ser excluído, ninguém quer ser rejeitado. Isto aí é uma defesa também que é absolutamente humana. Mas eu acho que a aceitação de quem você é, das suas origens, dos seus traços, da sua identidade é um grande passo para que os outros te aceitem também. Esta aceitação começa em você para que o outro também te aceite, né?
Afropress – Há uma nova geração de atores negros. Entre eles estão você, a Thaís Araujo, Sheron Menezes, Flávio Bauraqui, Juliana Alves, Ailton Graça, etc. Contudo, este grupo continua sendo sempre uma mosca nos elencos predominantemente brancos. Você acredita que ainda há muita coisa a ser feita para que a telenovela de mais espaços e maiores oportunidades a atores e atrizes negros?
Lázaro – Eu acho que ainda tem um caminho que é longo, mas eu acho que quanto mais o público mostra, e tem mostrado, o caminho vem sendo encurtado. Pelo seguinte: eu acho que o público hoje em dia tem demonstrado que se interessa por produtos com protagonistas negros ou com inserções de negros. Não é a toa que alguns dos vários produtos da televisão hoje em dia que tem grande índice de audiência tem um elenco negro. A tendência, é uma tendência de mercado mesmo. Na verdade, querendo ou não, televisão a gente tá falando de dinheiro. É uma comercialização, né? E se o consumidor demonstra que tem este interesse, vai correndo para suprir a demanda. Acho que isto vai ajudar inclusive, muito naquilo que a gente falou anteriormente, né? Sobre a identidade. Acho que tem uma mão de obra belíssima que está surgindo aí com excelentes atores, tem outros atores que já estão no mercado há mais tempo também fazendo um belo trabalho. É o público está pedindo. O público está pedindo. E acho que a tendência é aumentar mais, e mais. Mas a gente tem que continuar na vigilância porque é muito mais fácil recorrer a estas fórmulas que construíram a história do nosso país, né? É na verdade são fórmulas que inclusive, a meu ver engessa um pouco a dramaturgia, né? Não tem uma pesquisa nova. Fica recontando a mesma história com as mesmas caras. As histórias que mais seduzem o público são aquelas que tem algum risco, né? Que abrem os olhos para uma experiência nova.
Afropress – Você esteve presente na inauguração do presidente Barack Obama em Washington. Filmando a atmosfera da cidade, toda aquela agitação. Por que você fez questão de estar presente na posse do Obama?
Lázaro – Olha, tava aí na verdade estudando inglês e era um momento que eu não poderia perder a oportunidade, né? Um presidente como ele que representa tanto. Eu ta lá naquela época tinha que aproveitar para ir conferir este momento. Porque querendo ou não, apesar do Obama ser presidente dos EUA, eu queria viver este momento e registrar a emoção das pessoas porque era uma coisa impressionante ver a reação que as pessoas tinham por um político, né? Ele não é um artista. Geralmente, este tipo de reação é para um “pop star”. O que tinham por ele, um homem que é negro, que demonstra ser um grande líder numa época que os políticos são tão descrentes, os políticos e a política são tão descrentes, você ver uma reação como esta por um político, eu tinha que estar lá. Eu tinha que conferir.
Afropress – Na sua opinião, o negro brasileiro, em geral, ainda tem muita relutância em dizer que o Brasil tem sérios problemas raciais?
Lázaro – Não, não vejo isto não.
Afropress – Por que da criação do Programa Espelho? Qual é seu público alvo e o que você espera atingir com este programa?
Lázaro – Meu público? Quanto mais o tempo passa são todos. Na verdade é um programa que fica no canal por assinatura, com um público que tem dinheiro para pagar o pacote mais caro, né? Na verdade, ele fica no pacote. A grande maioria do meu público é o público branco. Hoje em dia tem alguns negros inclusive que falam: “poxa eu aumentei minha assinatura só para assistir o Espelho”, que é um grande orgulho. Isso porque é o programa que tem mais audiência no canal Brasil. É um programa que consegue manter um diálogo com todo mundo porque existe um pouco também para provar que a gente pode falar de questões, pode mostrar referências para todo público. Todo mundo pode se identificar com este assunto. Discutir de uma maneira democrática e que entretenha também, né? Alguns temas são duros ou mais polêmicos, mas a gente está sempre lá tocando no assunto e todo mundo está se interessando.

Lázaro Ramos dá entrevista com exclusividade ao correspondente de Afropress em Nova York, Edson Cadette. Foto: Revista Raça