Quando falamos da presença negra nas comunicações, eu sempre lembro das pesquisas do sociólogo Clóvis Moura, quando revela o quanto a história da Imprensa Negra no Brasil continua desconhecida.

Hoje revisitamos os fac-similes da "Tribuna Negra", "O Mutirão", "Getulino", "Novo Horizonte", "O Patrocínio", "A Voz da Raça", "O Menelick", entre muitos veículos feitos por negros que circularam nestes dois últimos séculos, e conseguimos através deles ler e entender o inverso ou o "avesso do avesso" do Brasil que insiste em não querer colocar na sala de estar da "Casa Grande" a sua verdadeira face.

A liberdade de Imprensa torna-se fundamental para fazermos a crítica e a auto-crítica com a responsabilidade de sempre, pois o nosso momento histórico exige que assim seja.

A Afropress está situada neste contexto, a sua autonomia e independência produzem, muitas das vezes um "remédio amargo" pouco palatável nas suas críticas, porém, abre o mesmo espaço para o debate dos envolvidos.

Portanto, dou meus parabéns à equipe da Afropress na figura do jornalista Dojival Vieira, pois como "O Menelick", de 1916, que lidava também com essa quase missão de tratar os temas contemporâneos, sejam eles quais fôssem, à luz da construção para além da questão racial, mas da cidadania.

Luiz Paulo Lima