Paulo – Nascer negro no Brasil representa um perigo: nos últimos 10 anos, uma pessoa negra correu duas vezes mais riscos de ser assassinada do que qualquer outra. Em 2019, primeiro ano do Governo Bolsonaro, a diferença foi a segunda maior registrada no período: 2,6 vezes. Os negros representaram 75,7% das vítimas de homicídios e eram apenas 56,8 da população, de acordo com dados do Atlas da Violência 2021 produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A taxa de homicídios tem apresentado tendência de queda nos últimos anos, segundo pesquisadores, em virtude da produção imprecisa de dados sobre mortes violentas, porém a disparidade entre negros e não negros não apresentou mudança significativa.

Em 2010, a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes era de 35,7% para negros e 15,1 para não negros – ou seja negros tinham 2,4 vezes mais risco de assassinato.

No ano com as maiores taxas da série histórica, 2017, a diferença também atingiu seu maior nível: 2,7. Ali, a taxa de negros mortos era de 43,1 para cada 100 mil habitantes; não negros, 16. O ano de 2019 registrou as menores taxas para ambos os grupos na década (29,2 e 11,2, respectivamente). Ainda assim, negros continuam correndo mais risco.