Toda vez que Lula aceita e recebe título de “Doutor Honoris Causa” de uma Universidade presta um desserviço à educação brasileira e dá mau exemplo a pessoas que são de origem humilde e vieram de famílias muito pobres – a maioria das quais negras – como ele e eu.

Explico-me: Lula apenas terminou o ensino fundamental, não gosta de ler – ele próprio já confessou que todas as vezes que começou um livro não passou da orelha. Não escreve e, ainda assim, tornou-se colunista de um dos mais importantes jornais do mundo – o New York Times – se valendo, claro, dos serviços de um ghost writer, que lhe escreve os artigos.

Nos últimos 11 anos, passou a dedicar-se ao que parece ser seu esporte favorito, além de indicar nomes desconhecidos para os cargos mais importantes do país – da Presidência da República à Governos Estaduais, passando pela Prefeitura de S. Paulo, a mais importante cidade brasileira e da América Latina, que ele próprio se encarrega de depreciar chamando de "postes": colecionar títulos de “Doutor Honoris Causa” sem nunca ter concluído curso algum, e cobrar até R$ 400 mil por palestra de uma, duas horas para plateias endinheiradas, interessadas não no que ele tem a dizer, mas nas portas que ele pode abrir, depois que deixou a Presidência.

O último deles foi recebido nesta quarta-feira (23/04) da Universidade de Salamanca e é o 27º desse tipo de honraria. Lula, que – sabe-se -, não fala espanhol, foi distinguido precisamente em Educação e Filologia, segundo o professor padrinho “pelo desempenho do Governo em divulgar a língua espanhola, adotada no ensino do Brasil”.

O que representam tais títulos? Prêmio a uma inteligência privilegiada? Reconhecimento a uma sabedoria humana em estado puro, gênio da raça? Nem uma coisa nem outra, ainda que seja injusto ignorar o papel do ex-presidente na história recente do Brasil.

Tais honrarias são apenas o resultado visível do velho e surrado exercício da esperteza – tão própria dele – que não pode ser confundida necessariamente, com inteligência. Ao contrário desta, a esperteza possibilita ao dotado escalar os píncaros do poder e da glória a golpes de audácia.

Voltando a Educação, que exemplo Lula dá aos meninos e meninas pobres do Brasil? Que recado ele manda ao posar para fotos com a samarra (espécie de capa) e o capelo (aquele chapeuzinho mal ajambrado e meio ridículo) conferidos a quem é distinguido pela honraria?

Só pode ser um: o de que é possível chegar à Presidência da República (duas vezes), ser chamado de “O cara” pelo homem mais poderoso do Planeta (Barack Obama), tornar-se doutor das maiores universidades do mundo sem nunca ter concluído um curso sequer, a não ser o primário, fato frequentemente usado por ele para fazer apologia à ignorância e a inutilidade de uma formação escolar.

Que estímulo terão garotos das favelas da Zona Leste, em S. Paulo, ou da Maré, no Rio, de Cubatão, na Baixada Santista, ou da Rocinha? Do Mangue, no Recife, ou da Ilha das Flores ou da Pintada, em Porto Alegre, para melhorar nos estudos, esforçar-se e, os seus pais, para lutarem por uma escola pública de qualidade, se Lula demonstra, com seu exemplo, que estudar é supérfluo, desnecessário mesmo?

Alguns desdenharão da importância da Educação formal, dirão que há preconceito com a origem humilde, como, aliás, o próprio Lula fez ao queixar-se, em Salamanca, “das elites que nunca confiaram na capacidade do povo brasileiro”. Finge ignorar que ele próprio tornou-se elite, desde 1.972 quando passou a comandar a elite do operariado brasileiro – os metalúrgicos do ABC -, e os ataques servem apenas a fins retóricos e causam o impacto conhecido em plateias embasbacadas. E, por último, ainda outros lembrarão que, nos seus dois Governos, o ex-presidente abriu escolas e instalou universidades.

Propaganda à parte penso que o maior exemplo que Lula poderia ter dado seria outro: o de valorizar a Educação e o estudo, começando por ele próprio, recusando-se ao exercício de exaltação do ego e a receber títulos de “Doutor Honoris Causa” como instrumento de prestígio político e não como sinônimo de conhecimento adquirido.

Este seria o melhor exemplo!

Dojival Vieira