Os insultos estão aumentando. Acabo de ser chamado de “socialdemocrata canalha”. Essas pessoas não são minhas amigas, nem reais nem virtuais, mas vêm à minha página só para escrever coisas assim. Estão histéricos com o “golpe” em curso. Não os vejo nas ruas, nas fábricas, nas periferias, só aqui no facebook.

A ideia de golpe pressupõe um choque traumático de duas forças antagônicas. Allende foi assassinado e João Goulart teve que ir para o exílio. Em cada caso havia dois projetos, muito distintos, em luta. Não é este o caso do Brasil atual.

A agenda de Michel Temer, será um desdobramento um pouco mais radical da agenda do próprio PT. Tudo o que os petistas agora demonizam estava em curso no governo Dilma: o ajuste recessivo, a perda de direitos, o fatiamento da Petrobras (com o nome de “desmobilização de ativos”), a reforma da Previdência, o corte nos programas sociais…

Não havia nenhuma reforma estrutural de caráter progressista em cogitação. Grande parte dos atuais ministros de Michel Temer foram ministros de Dilma e de Lula (o PMDB já tinha oito ministérios e diversas estatais). A “base aliada” é fundamentalmente a mesma. Os métodos de fazer política, idem.

Dilma aceitara a proposta (de Lula) de colocar Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, exatamente onde ele está. Para onde quer que se olhe, não há nada de épico ou de "histórico" na derrocada do PT.

Está colhendo o que plantou. O futuro do Brasil não passa por essa falsa polarização. Se quisermos fazer a história andar, precisamos deixá-la para trás.

PS. Saí do PT há 21 anos. Desde então ouço que “não é hora de criticar o PT”. Há muito tempo entendi que os pretextos mudam, mas a hora é nunca.

 

Cesar Benjamin