Sou fundador do PT, como sabem. Para quem me pergunta se me tornei um anti-petista, sempre respondo que não. O que faço é denunciar a farsa, a fraude, em que o PT se tornou. Há quem diga que após a chegada ao poder em 2002; outros garantem que já era, e nós é que não percebemos movidos por um idealismo ingênuo e romântico. Pode ser uma coisa e outra.

O que não aceito há muito tempo é a empulhação, a mentira, a falsificação e a manipulação da verdade. Me recuso a ser pautado por Rui Falcão e suas notas prá explicar os numerosos casos de corrupção praticados pelo lulopetismo e seus dirigentes, sempre com o mesmo "blá, blá, blá". Nem pelos discursos de Lula em que aparece sempre vestindo a capa de "vítima". E até chora para comover a platéia de devotos.

O PT, como todo partido autoritário e autocrático, quer substituir o fato pela narrativa. Os fatos não importam, o que importa é a narrativa. Quem constrói a narrativa, o faz de modo que lhe seja o mais favorável e com isso, o fato, a verdade, tornam-se secundários. Isso é a matriz de toda a tirania, que é oposto de Democracia, que o PT diz falsamente defender. Isso não é ser de esquerda, ao contrário.

Aliás, basta que alguém não aceite fazer parte do rebanho para ser imediatamente tachado como de "direita", "fascista" e outros epítetos nada abonadores.

Lula e o PT e os seus penduricalhos políticos e ideológicos estão se tornando os "coveiros" da esquerda brasileira. O "nós" – o PT e essa esquerda fraudulenta – x "eles" – o resto da sociedade, ou seja quase todo o mundo – substituiu qualquer diálogo, qualquer debate. Basta que alguém pense diferente para virar inimigo a ser alvejado e aniquilado. De qualquer forma.

Ser de esquerda não é isso. Porém, gerações e gerações de brasileiros estão sendo ensinadas a entender que esquerda é pensar como o PT e o seu satélite mais próximo – o PCdoB – e, claro, rejeitam.

Outros, por falta de informação e ignorância, associam o partido ao comunismo, comunismo de Estado, conceito cunhado pelo sociólogo francês, Edgar Morin, experiência que, evidentemente, faliu, desabou com a queda do Muro de Berlim, em 1.989.

A esquerda no Brasil e em qualquer lugar do mundo, porém, é necessária. Trata-se de uma posição com assento na história, fundamental para equilibrar o debate, para fazer com que o mundo não seja visto só de um lado, apenas a partir de posições mais conservadoras.

O lulopetismo, além da fraude a esquerda, está atrasando em 50, talvez 100 anos, a emergência de uma esquerda popular e democrática como alternativa de poder no Brasil. Retirar a esquerda do debate é fortalecer as pautas mais conservadoras sobre qualquer tema e, com isso, estagnamos.

Só andamos prá frente quando há equilíbrio. Nosso corpo fica de pé por força de uma complexa engenharia que começa sob os dois pés: o direito e o esquerdo. Você pode ficar de pé com um pé só, mas não por muito tempo e se conseguir andar será um andar tortuoso e desequilibrado.

O PT e o lulopetismo e os seus "puxadinhos" políticos e ideológicos, contudo, estão levando a idéia do "nós" x "eles" às últimas consequências, como se devêssemos aceitar que estamos em "guerra" . Não, por acaso, a narrativa do golpe. E numa guerra, a paz só é possível com a aniquilação, a rendição, a submissão do outro lado, no caso, nós todos. Intolerável!!!

O sinal das urnas nas eleições municipais deste ano – a derrota fragorosa e acachapante desse tipo de visão representada pelo PT em todo o Brasil – não foram suficiente.

Por que só falo do PT e não dos outros partidos?, alguém poderá perguntar. E eu respondo: simples, porque foi o PT que ajudei a fundar, no dia 10 de agosto de 1.979, em Cubatão, e a quem dediquei 20 anos dos meus 60 anos de vida.

 

 

 

Dojival Vieira