O pesquisador afro-americano Mark Neal, da Duke University, afirmou que “Nos Estados Unidos, as pessoas estão cansadas de falar na questão da raça” (…) “E parte do que ajudou Barack Obama a atingir a meta em 2008 foi esse cansaço – a expectativa de que ‘não vamos ter de falar mais sobre isto.”

Hoje, quando Obama assume o segundo mandato, creio que tantos os negros norte-americanos quantos nós negros brasileiros, sabemos que ele não é um divisor de água nas relações raciais no mundo, e que não terá atitudes diferentes das que teve no primeiro mandato.

Nada fará diferente de como agiu diante da morte do jovem negro Trayvon Martin, ou do incidente com o professor Henry Louis Gates Jr, que acabou em chope. Ou da sua, digamos, “discrição”, diante da questão racial brasileira, quando nos visitou.

Obama sempre temeu atiçar a ira da direita norte-americana, que vai continuar mantendo as tensões raciais vivas nas Américas como ela bem demonstrou no período eleitoral.

No entanto, mesmo tendo consciência de tudo isto, continuo considerando que o negro Obama na presidência é um avanço simbólico para todos nós.

Ele junto à sua mulher, Michelle, são uma referência global, de beleza, elegância e potencial do povo negro. Além de ser uma melhor administração, e um alívio, diante do fanatismo republicano contra tantas questões progressistas e fundamentais, como o direito das mulheres, dos homossexuais e do aquecimento global.

Joel Zito Araújo