O quê se esconde por trás dessa afirmação? O quê quereria dizer a expressão “salto social”, denotativa de mobilidade ascendente, na vida de um ministro da mais alta corte brasileira? Salto por quê? Para onde?
Joaquim Benedito Barbosa Gomes nasceu em Paracatu, MG, em 1954. Filho de um pedreiro, bacharelou-se em direito pela UnB e doutorou-se pela Universidade de Paris-II, sendo mais tarde professor visitante da Universidade da Califórnia em Los Angeles e professor de direito público da UERJ. Segundo o site do STF, “é Professor licenciado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ensinou as disciplinas de Direito Constitucional e Direito Administrativo. Foi Visiting Scholar (1999-2000) no Human Rights Institute da Columbia University School of Law, New York, e na University of California Los Angeles School of Law (2002-2003).
É assíduo conferencista, tanto no Brasil quanto no exterior. Foi bolsista do CNPq (1988-92), da Ford Foundation (1999-2000) e da Fundação Fullbright (2002-2003). É ainda, segundo a mesma fonte, “autor das obras ‘La Cour Suprême dans le Système Politique Brésilien’, publicada na França em 1994 pela Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence (LGDJ), na coleção ‘Bibliothèque Constitutionnelle et de Science Politique’; “Ação Afirmativa & Princípio Constitucional da Igualdade”; “O Direito como Instrumento de Transformação Social. A Experiência dos EUA”, publicado pela Editora Renovar, Rio de Janeiro, 2001; e de inúmeros artigos de doutrina.
Será, então, que o ministro, por ser preto e retinto, não é igual àqueles seus colegas cujos sonoros sobrenomes remontam ao patriarcalismo brasileiro ou à mais recente imigração estrangeira? Será que um jurista, por ser negro, depois de chegar ao supremo colegiado do Judiciário brasileiro e nele primar, s.m.j., pela firmeza e imparcialidade de suas decisões, a ponto de ser classificado pelo mesmo O Globo como “de pavio curto” (pág. 4 da mesma edição), ainda precisa de um “salto midiático” para ser reconhecido e aceito? Será?
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Nei Lopes