De qualquer forma, há uma tendência cada vez maior da utilização do termo em questão (tanto nacional quanto internacionalmente, quer pela militância ou seja pela sociedade em geral) .
Vou enumerar alguns motivos pelos quais acho extremamente válida a sua utilização:
1- Os termos negro, branco, etc… ; refletem equivocadas idéias racialistas, sistematizadas por Carolus Linaeus no séc XVII, além de reforçarem o erro, reforçam os estereótipos a eles associados, levando a manutenção de estigmas e supremacismos, devem ser portanto dentro do razoável, paulatinamente substituídos.
2- O termo desde a Conferência de Durban, passou a ser o oficial na redação da ONU…, motivo : nos países de língua portuguesa africanos o termo negro é visto como pejorativo pois designa “descendente de escravos” (e realmente é esse o sentido, portanto aplicável majoritariamente à diáspora), sendo assim eles preferem a palavra preto…, situação que no Brasil se inverte, pois negro assume hoje um sentido político mais amplo; outra vantagem é que afro-descendente é praticamente a mesma palavra seja em português, espanhol, inglês ou francês, portanto é “pan-africana”, une africanos e diásporidas.
3- Acaba com qualquer possibilidade de “tonalização” da negritude ou ideologias de “coluna do meio”, consequentemente fomenta o agrupamento estratégico e político.
4- Acaba com a confusão no uso dos termos negro e preto, o primeiro como já dito, quer dizer descendente de escravos ou simplesmente descendente de africanos (não importa se obviamente miscigenados ou não), já o segundo designa o fenótipo padrão africano, ou seja, no Brasil todo preto é negro, mas nem todo negro é preto…; logo, afro-descendente dá conta de todo esse espectro.
5- Estimula os que fogem dos velhos termos estigmatizados, a se auto-declarar e se visualizar dentro de um grupo de origem ancestral africana (independente do fenótipo), facilitando assim a conscientização e engajamento no combate ao racismo.
6- A questão dos “afro-descendentes brancos” não é problema, apesar dos “espertinhos burladores de AA”, pois o racismo inercial impede que a virtual totalidade assim se declare, já que são “socialmente brancos” e enxergam como “perda” assumir outra identidade; de qualquer forma os “afro-descendentes brancos” (CONSCIENTES…), são co-herdeiros do mesmo legado sócio-histórico dos visivelmente afro-descendentes, mesmo que já não tenham ou venham a ter “problemas de marca” (vide Oracy Nogueira sobre o racismo a brasileira), também tiveram suas potencialidades histórico-sociais-familiares afetadas…, muitos são militantes valorosos…, não devem ser alijados de sua opção de pertença.
6- A substituição de todos os termos racializados (branco, preto, pardo, amarelo, indigena ou vermelho para os mais antigos) pelos de ancestralidade geográfica (Afro, Euro, Asiático ou Nativo (esse último artificial para fins políticos), já são utilizados por exemplo em genética de populações (nada a ver com a velha genética sempre sacada pelos “racistas científicos”) e inclusive por convenções médicas…, assim, os termos baseados em ancestralidade inauguram uma nova fase nas relações étnico-raciais…, retira a “raça” sem retirar a possibilidade de monitoramento e correção das desigualdades advindas da origem .
7- Coloca em xeque os que desejam equivocadamente fazer “movimento preto” ao invés de “movimento negro” (ou melhor afro-descendente) muito mais coerente e obviamente muito mais forte… .
Outra coisa parecida ocorre ao se utilizar as palavras com relação à cultura; vejamos: Cultura Negra tem viés limitado, significa Cultura da Diáspora africana, mas Cultura Afro abrange tanto Cultura africana quanto da Diáspora….
Até agora só vi vantagens no termo…

Juarez C. da Silva Jr.