A foto ao lado ilustra o triunfo da imbecilidade. O ex-funcionário da Globo, Diego Rocha Pereira, sentado na cadeira que pertenceu ao jornalista William Waack, âncora do jornal Jornal da Globo e um dos mais importantes e cultos jornalistas brasileiros.

Waack foi flagrado fazendo um comentário que revela e expõe o subterrâneo racista que habita as mentes de quase todo o brasileiro, em especial, o da classe média, formado sob o mito da democracia racial. Ao ser importunado pela buzina de alguém que passava enquanto fazia uma entrada ao vivo em frente à Casa Branca, repercutindo a vitória de Donald Trump, comentou com o entrevistado: “É coisa de preto…”.

A gravação foi guardada por um ano pelo ex-funcionário para revelá-la, numa espécie de chantagem branca, ao ser demitido da emissora, provocando, primeiro o afastamento, e agora a demissão e um estrago considerável na bem sucedida carreira do jornalista.

O fato de Waack ser conhecido por suas posições antipetistas e pró-mercado, nem quaisquer outras razões que possam ser alegadas, autorizam o clima de caça às bruxas e de linchamento, de tribunal de inquisição a que foi submetido; sem julgamento, sem o exercício do contraditório e da ampla defesa e, após pedir "sinceras desculpas" pelo comentário impróprio e revelador da sua subjetividade. 

Porém, ao “herói macunaímico”, revelando uma característica comum a esse tipo de herói, não bastaria o suspeitíssimo comportamento. Há algumas semanas, ele burlou a vigilância da portaria da Globo para sentar na cadeira de Waack, revelando, além da ausência de caráter (não se tripudia sobre vencidos), que a causa a que serve não é a do combate ao racismo, mas a do ódio e da intolerância. O mundo, para esse tipo de militante, se divide em pretos x brancos. E ponto final.

Ocorre que racismo não se combate com racialismo (racialistas seguem acreditando em raças, quando todos sabemos que somos uma única – a raça humana). Nem tampouco a difusão do ódio serve a qualquer causa, a não ser a da produção de mais ódio. As transformações sociais – e isso inclui a eliminação dessa patologia que é o racismo – são obra do amor e da generosidade humanas.

Com a saída de Waack do vídeo e da TV, estigmatizado como racista, a causa do antirracismo que deve unir os brasileiros de todas as cores, não ganhou um único militante. Em compensação, o ex-funcionário da Globo ganhou a notoriedade efêmera dos medíocres. Seus 15 minutos de glória estão garantidos. Porém, quem, de fato, ganhou, foram os que há anos se dedicam a difusão do ódio e da intolerância, com o que, todos perdem.
 

É o caso de lembrar a célebre frase de Machado de Assis, no romance Quincas Borba: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

 

Dojival Vieira