Brasília – A ordem dos Advogados do Brasil, por intermédio do seu Conselho Federal, homenageará no próximo dia 07/05, em sessão plenária, em Brasília, o precursor do abolicionismo no Brasil, Luiz Gama. O orador da homenagem será o jurista Fábio Konder Comparato, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB.
Filho de Luiza Mahin, africana livre da nação nagô, oriunda da Costa do Marfim, e de pai português pertencente a uma família ilustre da Bahia, Luiz Gama, nascido em 1.830 e morto em 1.882, conseguiu sozinho, na sua militância como advogado e ativista, libertar mais de 500 escravos.
A história de resistência de Luiz Gama e seu compromisso em defesa dos irmãos negros começa aos 10 anos, quando foi vendido pelo pai e embarcado para o Rio, onde novamente é vendido a um traficante paulista. Aos 17 anos já sabia ler e escrever, e aos 18, fugiu do cativeiro doméstico em S. Paulo para entrar na Marinha de Guerra.
Excluído dos quadros da Marinha voltou à São Paulo, onde trabalhou no escritório de um escrivão e, depois, na Secretaria de Governo da então Província. Foi lá que decidiu estudar Direito para defender em juízo a liberdade de negros e negras escravizados.
Na primeira tentativa de entrar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco foi impedido, passando então a atuar, como rábula – advogado sem formação, mas que tinha autorização da entidade de classe para atuar em primeira instância.
A grande questão jurídica pela qual se empenhou foi provar a vigência da Lei de 7 de novembro de 1.831, sancionada pelo Governo Imperial em cumprimento a um tratado com a Inglaterra, firmado em 1.818, que declarava livres os africanos desembarcados no Brasil após aquela data.
Também foi um ativo militante político e, já no final da vida, o inspirador do movimento dos Caifazes de Antonio Bento de Souza e Castro, que promoveu a fuga de milhares de homens negros escravizados desorganizando totalmente o trabalho nas fazendas de S. Paulo.

Da Redacao