Meus amigos e minhas amigas,

Em seu editorial de 19/11, o jornal virtual AFROPRESS apresenta um editorial com o título Marcha de Mulheres, em Brasília, insiste em modelo esgotado. Nada mais apropriado. Por falta de programas, projetos, ideias e de legitimidade das lutas contra o racismo e pela igualdade racial, grupinhos de negros e de negras profissionais perdem a vergonha, mas não mudam nunca a fórmula ultrapassada de exploração da própria raça.

A tal Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e pelo Bem Viver nada teve de resistência e de legitimidade.  Sua missão, na verdade, foi o de levar solidariedade à companheira Dilma.

A referida Dilma é a mesma que quebrou o país; protege e compactua com corruptos; provoca o desemprego de milhões de negros e nordestinos; permite invasão e roubo de terras indígenas e Quilombolas; recusou a indicar um negro para a vacância do Ministro Joaquim Barbosa no STF; não está nem ai para o extermínio de jovens negros (os governos genocidas são seus aliados); colocou uma fantoche negra num Ministério inexistente; usa os negros e negras como passaporte para o seu medíocre e falido governo… e uma série de outras mazelas lançadas contra a raça negra; comemorada pelos vendilhões da raça dos movimentos negros com uma desavergonhada marcha  de apoio à presidente.  

Os vendilhões e as vendilhonas da raça, chafurdados nos movimentos negros, percebendo que seus discursos panfletários, demagógicos e politiqueiros já estão ultrapassados, falidos e esculachados, agora regurgitam diversas marchas que não levam a lugar nenhum. 

Esse contra o racismo, que elas panfletavam, é tão verdadeiro quanto a afirmativa do Eduardo Cunha, ao dizer não ser dono do dinheiro depositado em seu nome em bancos suíços. E tome marchas!

É marcha disso, marcha daquilo; marcha pra isso, marcha pra aquilo; são marchas para todos os gostos, títulos, besteiras e ocasiões. Que não levam a lugar nenhum a não ser aos gabinetes do palácio do planalto e ao congresso nacional, residência da sua sinhá e sinhozinhosmarchands e compradores dos produtos que negociam: a Causa Negra e a Causa Quilombola.

"Algumas centenas de ativistas vão à Brasília desfilam reivindicações pela Esplanada e depois acabam no gabinete da Presidência da República para entregar documentos e tirar fotos, sob sorrisos com a presidente de plantão, no caso a atual, presidente Dilma Rousseff”, descreve o editorial da AFROPRESS.

Antes, as marchas terminavam em cultos de matriz africana; sacerdotisas eram convidadas para uma finalidade, mas enganadas, acabavam participando de um festival de besteira e de balelas. Agora, a cara de pau suplantou a dignidade e a honra. A marcha termina mesmo é diante das Casas Grandes dos seus senhores e sinhás. O puxa-saquismo e o mercantilismo praticado pelos movimentos negros e suas saladas de siglas com tempero de coisa nenhuma, tem criado uma endêmica desmoralização das legítimas lutas contra o racismo e pela igualdade racial.

Essas marchas, na verdade, não passam uma tropa de burros puxada pelos movimentos negros e tangida pelos sinhozinhos deles, dos partidos políticos da esquerda. A tal esquerda companheira dos negros, que paquera a própria esquerda, mas vai pra cama com a direita: PT aliado de Eduardo Cunha, Zé Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e outros esquerdistas que se enriqueceram às custas da miséria e das dores dos negros, índios e nordestinos.

É um balaio de gatos e ratos com a turminha dos movimentos negros se revezando entre os felinos e os roedores E nessa latrina politiqueira os dejetos dos movimentos negros emergem como os salvadores e defensores da Casa Negra e da Causa Quilombola.

Moisés marchou com os hebreus para a terra prometida; Zumbi marchou com centenas de negros fugitivos para o Quilombo dos Palmares; Mao Tsé-Tung liderou a legendária longa marcha de mais de 10 mil quilômetros, através de 11 províncias; Lampião marchou por todo o nordeste com seu bando de cangaceiros; Miguel Costa, Isidoro Dias Lopes e, depois, Luis Carlos Prestes (a quem erroneamente é atribuído a idealização da Coluna) liderando 1.400 homens, marcharam por mais de 33 mil quilômetros; Martin Luther King marchou com mais de 250 mil pessoas para clamar, discursar, orar e cantar por liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial contra a população negra nos EUA.

E os movimentos negros marcham para lugar nenhum de interesse da negritude, mas para interesses próprios marcham para os gabinetes dos seus sinhozinhos no congresso; agora, a ala feminina dos movimentos negros marcha para o gabinete da sinhazinha mor (delas). Todos tutelados pela mucama chefe da casa grande, Nilma Ribeiro.

A falta de credibilidade, de consistência de luta, de legítima representatividade, e de vergonha na cara mesmo, faz com que os movimentos negros não consigam juntar a negritude para uma marcha séria e legítima. Cada marcha organizada por essa turminha tem bandeiras de partidos políticos, tem panfletagem para políticos, tem a banalização e folclorização dos cultos de matriz africana, tem hipocrisia, tem falsas propostas para a Causa Negra e para a Causa Quilombola, e tem a falta de vergonha na cara. Essas marchas só não têm propósitos, ideais, projetos e legitimidades.

Ações, projetos e programas que venham realmente beneficiar a negritude ficam fora da pauta. A politicagem ganha espaço e a tal consciência negra fica um mero besteirol protagonizados pelos negros e pelas negras profissionais. Aqueles e aquelas que viram na condição de ser da raça negra um bom negócio. E para eles e para elas.

Essa turminha promovem as marchas de coisa alguma para lugar nenhum, vão ao congresso nacional tomar as benções dos políticos, seus sinhozinhos, mas não procuram pela bancada de parlamentares negros para, juntos, criarem estratégias, projetos e programas contra o racismo e pela igualdade racial.

A inércia desse dois grupos chega ser irritante. Essa inércia já é percebida pela sociedade formada por cidadãos, universitários e gente do povo, não negros e não negras, que estão ocupando os espaços na realização de ações verdadeiras, que deveria ser dos movimentos negros e suas saladas de siglas com tempero de inutilidades.

Um grande paradoxo somado a uma imensa ironia aconteceu neste 20 de Novembro (coincidência?), em Cuiabá, MT. Um grupo de universitários, estudantes de enfermagem, organizou-se como voluntários para fazer doações de bonecas às crianças de comunidades carentes.

Ao perceberem a falta de bonecas negras no mercado encaminharam documentos aos fabricantes do brinquedo cobrando a fabricação de bonecas e bonecos da cor preta, pois a raça negra era maioria no país. Também, encaminharam documento aos lojistas exigindo que encomendas esse tipo de brinquedo.

Gente, essas ações não deveriam ser tomadas pelos parlamentares negros, lideranças e pelas entidades dos movimentos negros? Ou não? É a sociedade branca que tem que se mobilizar e criar ações efetivas para o fim do racismo, quebra do preconceito e da exclusão racial?

As frases panfletárias, clicheradas e banais dos movimentos negros tipo: o poder do branco opressor; a direita racista (para eles a esquerda é boazinha para a negritude); o sistema branco racista; nossas conquistas históricas; nossos avanços, conquistas de saberes e empoderamento aos poucos estão desaparecendo das suas falas. Os caras perceberam o quão ridículos são esses discursos, e a sua total falta de consistência.

Aquela malfadada Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e pelo Bem Viver é o retrato mais deprimente do que essa turminha da facção movimento negro fez e faz com a Causa Negra.

A marcha na verdade não tinha nada a ver com a luta contra o racismo. Ela foi idealizada, programada e organizada para que as blogueiras de plantão fossem simplesmente tomar benção da presidenta Dilma. Seria muito mais digno e honrado, aos olhos da raça negra, se fosse uma marcha das antigas mulatas do Sargentelle. Aquelas que não estavam no mapa.Elas, pelos menos, com todas as contradições eram mais verdadeiras do que essa turminha de blogueiras de plantão.

Outras marchas, com os mesmos discursos, com os mesmos clichês, com as mesmas panfletagens, com as mesmas politicagens, com as mesmas turminhas de vendilhões e vendilhonas da raça infelizmente continuarão acontecendo.

Serão sempre as mesmas marchas. Dos negros e das negras profissionais. Marchas do ôba ôba e da politicalha. De coisa alguma para lugar nenhum. 

Abraços a todos (as).

Flávio Leandro

 

Flávio Leandro