S. Paulo – A ativista e professora da Columbia University, Kimberly Crenshawn, que representa a sociedade civil Americana no monitoramento do Plano JAPER, não estranhou a ausência da temática étnico-racial na pauta da visita do presidente Barack Obama. Ao falar do fato de que na agenda de Obama e da 1ª Dama Michelle, a presença negra se deu apenas em compromissos de apresentação de capoeira e danças, ela afirmou. “Esta á a forma como o resto do mundo vê os negros brasileiros”.
Crenshawn é um dos mais importantes nomes da “Teoria Crítica de Raça” nos EUA e também funddora do African American Policy Forum, um instituto dedicado a questão racial, justiça, gênero e direitos humanos sediado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).
Segundo a ativista a presidência do Obama é simbólica. “Mas, qual o símbolo que nós acreditamos que seja. É o primeiro presidente negro que vem, tem uma simbologia disso, mas isso não se traduz numa expectativa em que os afro-brasileiros vão realmente ter um papel mais visível. Muitas pessoas vêem a Presidência Obama como se as questões raciais não tivessem mais importância. O que agente entende por pós-racialismo? O mito da democracia racial opera também nos EUA”, acrescentou.
Além de reiterar que a sociedade civil “não tem um papel dentro do Plano”, Crenshaw também queixou-se da falta de transparência. “Nós não somos os parceiros prioritários desse Plano. Se não estiver claro para eles [Governos do Brasil e dos EUA] que nós somos observadores e que temos que ter espaço para fazer críticas e comentários não terão razão para tornar esse processo transparente”, afirmou.
” Esse é um “Joint Plan”, envolve ambas as partes. Nós não devemos só pedir informações, mas ser pró-ativos. Propor coisas, propor esse diálogo, porque é um plano que deve ser da sociedade civil e governos. Isso significa que na verdade, que o Governo não vai conseguir transformar a sociedade, a sociedade civil tem que ter realmente um papel importante”, finalizou.

Da Redacao