Nos seus primeiros seis meses do primeiro mandato, o executivo enveredou pela dicotomia e ceifou a comunidade negra.
Idas e vindas. Contratos quebrados; e uma instituição pública relegada ao papel de coadjuvante – com um pedido de paciência.
A meta apesar de tudo, ainda hoje, é criar mecanismos que possam subsidiar a administração municipal na promoção da igualdade e cidadania quando o assunto é a comunidade negra.
Para isso será necessário que a estrutura da “nova” COAFRO conforme preconiza o Plano de Governo lançado durante a campanha política contemple a sua anexação à secretaria de gestão estratégica.
Sem autonomia para fomentar as suas diretrizes e sem condições de gerir um orçamento independente não existe programa ou projeto que agregue valor à sua execução.
No período eleitoral a comunidade negra se manteve engajada sem ser ouvida ou convidada a estar. Diante disso, não é possível que nos 90 meses seguintes não houvesse um só negro ou negra a se destacar para receber um convite, a estar entre os secretários municipais nomeados.
Existe em Uberlândia e em quase todas as cidades brasileiras um número considerável de empresários negros de sucesso, e mesmo profissionais liberais que se destacam. Entretanto, novamente a comunidade negra se vê preterida em ocupar o primeiro escalão do governo municipal e o mesmo em outras instituições a nível estadual e federal.
Isso prova que existe uma regra velada. Se não te vejo não te enxergo. Ao fim do pleito eleitoral era de se esperar que a comunidade negra fosse chamada para ser ouvida, uma vez citada entre as metas prioritárias do segundo mandato. E nesses últimos 100 dias nada foi dito e nem comunicado.
Entrevistando personalidades da comunidade negra observa-se que o “pão e circo” se instalou, mas ainda existe um oásis de muitas idéias e caráter para conduzir um processo político de parceria e responsabilidade que crie mecanismos sólidos ao desenvolvimento social e inclusão econômica.
Para nomear se ouvem as bases, o vereador signatário, lideranças políticas, deputados, e segue-se. Para atender a comunidade negra ignoram-se os ditames da boa governança e da política doméstica. E isso precisa ser mudado.
Num momento em que todos são convidados a viver Uberlândia em torno de 2010 é preciso perceber que outras pessoas têm que estar presentes nesse projeto.
Não se pode exigir meritocracia se a porta nunca está aberta. A mesma situação é a da nova vida que se quer dar ao Teatro Grande Otelo.
Ele não é exclusividade de ninguém, mas carrega o nome de um dos maiores expoentes da comunidade negra filho de Uberlândia.
Seria inteligente oportunizar a ocasião para fazer deste espaço o vertedouro e a sede das ações afirmativas que serão construídas pela “nova” COAFRO. Ouvindo a comunidade negra.

José Amaral Neto