Salvador – A vereadora Olívia Santana, candidata a Deputada Estadual pelo PC do B (65.500), diz que quer se eleger porque não é possível que a Bahia seja o Estado com maior população negra do continente americano e ainda não tenha uma mulher negra como representante na Assembléia Legislativa.
“As minhas propostas têm como eixo central a apresentação de projetos que contribuam com a qualidade das escolas públicas, consolide e ampliem os programas de ação afirmativa nas universidades estaduais, a promoção da cultura e de uma política cultural mais consistente e mais ampla”, afirmou.
Militante do Movimento Negro, das mulheres e dos direitos humanos, Olívia começou sua atuação muito cedo aos 14 anos, quando passou a trabalhar como servente de uma escolinha particular de Salvador.
Sobre o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12228), recentemente aprovado e sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, olívia diz. “É uma Lei insuficiente, mas é o que temos. Não acho uma boa tática ficar remoendo o que não entrou é preciso defender o cumprimento do que foi aprovado”, acrescenta.
Confira, na íntegra, mais uma entrevista da série e que faz parte do esforço de Afropress para estimular o voto em candidatos negros e antirracistas a deputados estaduais, federais e senadores, em todo o Brasil nas eleições de 3 outubro. O espaço é aberto a todos candidatos comprometidos com esta agenda, independente de partidos.
Afropress – Por que é candidata a Deputada Estadual e quais são suas principais propostas se eleita?
Olívia Santana – Sou candidata a Deputada Estadual porque acredito que posso contribuir com o parlamento baiano. Não é possível que a Bahia, estado que possui a maior população negra do Continente Americano, ainda não tenha uma mulher negra como representante. As minhas propostas têm como eixo central a apresentação de projetos que contribuam com a qualidade das escolas públicas, consolide e ampliem os programas de ação afirmativa nas universidades estaduais, a promoção da cultura e de uma política cultural mais consistente e mais ampla.
Quero ajudar o governador Jaques Wagner a promover o desenvolvimento da Bahia incorporando verdadeiramente a população negra, os indígenas todo o povo sofrido da Zona Rural.
Afropress – Como acompanhou o debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial aprovado e qual a sua posição a respeito?
Olívia – Participei das discussões desde o inicio. E estava em Brasília, no dia que o Presidente Lula sancionou o Estatuto, em julho deste ano. É uma Lei insuficiente, mas é o que temos. Não acho uma boa tática ficar remoendo o que não entrou é preciso defender o cumprimento do que foi aprovado.
O Estatuto, de autoria do Senador Paulo Paim, tinha inicialmente 30 artigos e se tornou uma Lei de 64 artigos.Temos que exigir políticas de eliminação do racismo em diversas áreas com base no Estatuto e em um conjunto de leis que são conquistas iniciadas no final do século XX, a exemplo da criminalização do racismo na Constituição de 1988, da Lei 7.716/89 que pune os crimes de racismo, da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o Ensino da História e da Cultura Afro-brasileira e Africana.
Afropress – Qual a sua posição em relação às cotas e ações afirmativas e se considera necessário o aperfeiçoamento do Estatuto aprovado e recém-sancionado pelo Presidente da República?
Olívia – A Política de Cotas e as ações afirmativas são necessárias para a implantação de uma sociedade verdadeiramente democrática. É fundamental que todas pessoas tenham acesso e oportunidades iguais, na educação, no mercado de trabalho, na saúde. E as ações afirmativas conseguem de certa forma garantir isso. Isso não quer dizer que não devemos ter ações universais, mas é inegável, que historicamente negros e índios não tiveram as mesmas oportunidades que a população branca aqui no Brasil. Como dizia Loreta Valadares, com a Política de Cotas podemos dar visibilidade ao invisível.
Afropress – Como se posiciona em relação aos assassinatos de jovens negros na cidade de S. Paulo, que ganharam a mídia com a morte dos dois motoboys e mais do ajudante de pedreiro Cristiano da Silva, nas mãos da Polícia Militar?
Olívia – Não podemos mais nos calar em relação ao genocídio que a juventude negra brasileira vem sofrendo. É inadmissível, temos que uma reparação imediata. O lugar da juventude não pode ser nos cemitérios, nem nas cadeias. Nossos jovens devem ser educados para serem cientistas, médicos, advogados, pilotos de aviões e não aviões do tráfico. Por isso defendo uma educação pública de qualidade, que garanta a esses jovens a oportunidade de decidirem o seu destino e que possam ter a certeza do dia seguinte.
Afropress – Fale um pouco de sua trajetória pessoal e política e na importância da eleição de candidatos negros e anti-racistas nestas eleições.
Olívia – Sou filha de família pobre da antiga invasão de Ondina,em Salvador, e sempre trabalhei duro como para contribuir com o sustento da casa. Aos 12 anos decidir que seria professora e lutei para realizar meu sonho. Em escola, já fiz de tudo: fui servente, merendeira, professora, coordenadora pedagógica e, em 2005, tornei-me Secretária de Educação de Salvador. Hoje, presido a Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer da Câmara.
Sou pedagoga, formada pela Universidade Federal da Bahia -UFBA. Milito há 21 anos no PC do B em defesa do socialismo. Sou mulher negra e a partir dos 15 anos de idade assumi a minha identidade com mais autoestima. Deixei de alisar os cabelos e passei a me gostar mais e defender os direitos coletivos da população negra. Sonho e trabalho todos os dias por um mundo sem racismo, sem machismo e sem classes sociais. Há de acontecer!

Da Redacao