Ibase/Afropress – Como será a segunda fase da campanha?
Fernanda Carvalho – Esta segunda fase da campanha terá 5 spots de 30 segundos a serem exibidos gratuitamente por emissoras interessadas. A TV Globo veiculará os filmes a partir da segunda quinzena de maio; a TVE já demonstrou interesse. Haverá ainda busdoors, panfletos, entre outros materiais gráficos. As situações retratadas foram identificadas por intermédio do site do Diálogos contra o racismo e são as mais comuns. As pessoas que contam as suas histórias nos filmes foram convidadas pelas organizações que participam da campanha Onde você guarda o seu racismo?. Elas deram depoimentos de forma voluntária. Um dos objetivos da campanha em 2006 será intensificar as ações nas empresas e escolas.
Ibase/Afropress – Qual o balanço da primeira fase da campanha?
Fernanda Carvalho– A campanha foi lançada em dezembro de 2004 e as organizações da sociedade civil reunidas no grupo Diálogos contra o Racismo consideram o saldo extremamente positivo. A iniciativa tem recebido o apoio de diversas organizações de todo Brasil, como escolas, prefeituras, rádios, sindicatos, empresas e muitas, muitas pessoas. A campanha obteve a adesão de veículos como Rede Globo, Globonews, TV Educativa, TV Cultura, TV Senado, TV Câmara, TV Viva de Pernambuco, redes de cinema Cinemark e rede cinemas Estação, Rádio Mec, Rádio Fala Mulher e rádios comunitárias de vários estados: RJ, BA, ES, PE, PA, Brasília, SP e RS. Além disso, foram distribuídos 85 mil folhetos, 10 mil bottons, 5 mil cartazes, 50 busdoors e 50 outdoors. O site da campanha recebeu nos últimos 12 meses mais de 64 mil visitas e tem sido importante meio de diálogo sobre o problema do racismo.
Ibase/Afropress – O que é o Diálogos contra o racismo?
Fernanda Carvalho– O Diálogos tem como meta a troca de experiências e idéias sobre a questão do preconceito racial. A iniciativa surgiu a partir da constatação de que o problema do preconceito racial, invisível para muitos, principalmente para aqueles que não sofrem com ele, deveria ser tratado pela sociedade brasileira como um todo – e não apenas pelos afrodescendentes e suas organizações.
Ibase/Afropress – Como funciona a campanha Onde você guarda o seu racismo?
Fernanda Carvalho– A campanha pretende estimular a realização de inúmeros ‘diálogos sobre o racismo’ nas famílias, condomínios, locais de trabalho, escolas, rodas de amigos e amigas. Para apoiar e incentivar essa mobilização a campanha funciona por meio de articulações e redes de organizações, instituições e movimentos em todo o país.
Ibase/Afropress – Qual a importância do Diálogos?
Fernanda Carvalho – O preconceito racial existe e faz mal para todas as pessoas, não só aos negros, e para toda a sociedade. Além de reprovável sob qualquer ponto de vista, dificulta a superação de graves distorções sociais. Relatório lançado em 2005 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, mostra que 64% da população de baixa renda no Brasil é composta por pessoas negras, aproximadamente 25 milhões. Podemos ver que a pobreza no Brasil tem cor. Quase 80% dos jovens assassinados, entre 16 e 24 que anos, são negros. E uma mulher negra ganha quatro vezes menos do que um homem branco. O racismo é um obstáculo para a consolidação de uma sociedade mais justa e democrática, na qual todas as pessoas sejam realmente cidadãs.