S. Paulo – O Ministério Público do Estado de S. Paulo deverá instaurar inquérito para apurar a prática de crime de racismo por parte do ex-juiz de futebol e dublê de comentarista, Oscar Roberto de Godói, por declarações feitas durante o programa Debate Bola, da TV Record, no último dia 05 de julho, em que o mesmo criticava o fato da seleção brasileira de futebol, que disputou e venceu a Copa América, ser formada majoritariamente por negros. “O que falta para a seleção é um loirinho. Está parecendo time da África”, afirmou.
Representação da ONG ABC sem Racismo, protocolada junto ao Grupo Especial de Inclusão Social do MP, pede que seja apurada a responsabilidade criminal e cível de Godói, por infração ao artigo 20 da Lei 7.716/89 (Lei Caó), com redação dada pela Lei 9.459/97. A Lei define os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor (“praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” e sujeita o infrator a uma pena de reclusão de dois a cinco anos e multa.
A representação, assinada pelo presidente da ONG e editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, também pede a citação do responsável pelo programa, jornalista Milton Neves, e da direção da TV Record de S. Paulo.
“A frase, reproduzida na íntegra pela imprensa diária, configura infração ao artigo 20 da Lei 7.7116. Ademais, representa uma agressão injustificada a milhões de negros e negras – 49% da população brasileira – descendentes de africanos que sofrem as conseqüências ainda hoje dos 350 anos de escravismo e de mais 119 de racismo, fato que pode ser comprovado com a análise dos indicadores sócio-econômicos (IPEA, DIEESE, IBGE, Fundação SEADE), entre outros, em que a população negra aparece em notória desvantagem”, afirma o documento.
Na representação, são lembrados ainda “os prejuízos causados por declarações desse tipo às milhões de crianças negras ofendidas na sua auto-estima, já lesionada pelo racismo – chaga que tantos males e prejuízos causa à população negra, ao Brasil e aos brasileiros”.
A denúncia foi entregue à promotora Fernando Leão, coordenadora do Grupo Especial de Inclusão Social do MP de S. Paulo e protocolada sob o número 0086239/07. Foram arroladas como testemunhas a professora Thalita Stein, além de Marco Antonio Tobias Pedro e Rodrigo Coelho, telespectadores do programa que escreveram à Afropress chocados e indignados com as declarações do ex-árbitro.
A promotora deverá instaurar inquérito civil, no qual Godói, o responsável pelo programa e diretores da emissora deverão ser ouvidos, bem como as testemunhas.

Da Redacao