Nova York – Relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que o problema da discriminação no Brasil ainda está profundamente enraizado e aponta que partes do aparelho de Estado, Judiciário e setores da sociedade civil ainda resistem a medidas de combate ao racismo. O Relatório também critica a demora na demarcação das terras indígenas.
Apesar de elogiar o fato de o governo reconhecer a existência do problema, a ONU alerta que as declarações ainda não se traduziram em mudanças concretas. No Relatório são feitas 35 recomendações para superar a questão.
“Viajar pelo Brasil é como mover-se entre dois planetas: um das ruas com cores vivas e raças misturadas e outro dos corredores brancos dos poderes político, social, econômico e da mídia”, afirmou o autor do relatório, o senegalês Doudou Diène, que esteve no Brasil em outubro de 2005 para investigar o racismo. Ele considerou chocante a presença ainda tímida de negros em cargos administrativos. Nos bancos, por exemplo, apenas 10,8% dos funcionários são negros. “Há coisas muito graves ocorrendo no Brasil”, afirmou o especialista ao Estado. O relator identifica o racismo como uma conseqüência e um legado do período da escravidão. “Afeta profundamente a estrutura da sociedade brasileira”, afirma.
Ainda segundo Diène uma mudança de mentalidade ainda será difícil, principalmente por causa da ideologia da democracia racial ou do fato de muitos acreditarem que as discriminações no Brasil são apenas econômicas. “Democracia racial é a máscara ideológica da elite brasileira para não dizer que há racismo”, critica o relator. Para Diène, enquanto persistir a idéia de que a discriminação é só econômica, a implementação de leis de combate ficará difícil”. O documento será apresentado aos demais países membros da ONU.

Da Redacao