Brasília – Quem afirma agora são peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) em documento publicado nesta sexta-feira (12/09) com informe sobre a situação da discriminação racial no país: o racismo no Brasil é “estrutural e institucionalizado” e "permeia todas as áreas da vida”. No documento, os peritos concluem que o "mito da democracia racial" ainda existe na sociedade brasileira e que parte substancial dela ainda "nega a existência do racismo".

Os técnicos da ONU visitaram o Brasil entre os dias 04 e 14 de dezembro do ano passado e fizeram uma análise devastadora sobre a situação: os negros são os que mais são assassinados, são os que têm menor escolaridade, menores salários, maior taxa de desemprego, menor acesso à saúde, e também são os que morrem mais cedo e têm a menor participação no Produto Interno Bruto (PIB). Também são os que mais lotam as prisões e os que menos ocupam postos nos Governos, apesar de representarem mais de 50,7% da população brasileira, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

Para a ONU, um dos maiores obstáculos para enfrentar o problema é que “muitos acadêmicos nacionais e internacionais e atores ainda subscrevem ao mito da democracia racial", o que é "frequentemente usado por políticos conservadores para descreditar ações afirmativas".

"O Brasil não pode mais ser chamado de uma democracia racial e alguns órgãos do Estado são caracterizados por um racismo institucional, nos quais as hierarquias raciais são culturalmente aceitas como normais", destacou a ONU.

Ideologia do branqueamento

Como alternativa os técnicos sugerem que se “desconstrua a ideologia do branqueamento que continua a afetar as mentalidades de uma porção significativa da sociedade”.

Segundo a ONU falta dinheiro, para que o sistema educativo reforce aulas de história da população afro-brasileira, um dos mecanismos mais eficientes para combater o “mito da democracia racial”.

A ONU também reconhece ter havido avanço nos últimos anos no esforço do Governo para lidar com o problema, mas alerta que muitos dos organismos criados não contam com financiamento suficiente e nem recursos humanos para realizar seus trabalhos. "Muitos ainda têm baixa visibilidade em termos de presença física e posição dentro dos governos dos Estados e dos municípios."

Os técnicos denunciam a resistência de grupos políticos diante de projetos de leis que tentam lidar com a desigualdade racial e declaram estar “preocupados que o progresso feito até agora corra o risco de sofrer uma regressão diante das ameaças de grupos de extrema-direita”.

Entretanto, a ONU reconhece que até mesmo dentro da estrutura do Estado, os negros brasileiros são “sub-representados”.

 

Da Redacao