De princípio a ONU não é séria e nem imparcial! Tende sempre para os países ocidentais e ricos, sem o menor pudor ou constrangimento. Os paises pequenos, no ainda Terceiro Mundo, são meros coadjuvantes. “laranjas”.
Bem, relatar a trajetória da ONU além de enfadonho é deprimente: mentiu, como tantos outros, como todos os outros em benefício da burguesia. Esta que adquiriu poderes absolutos na Revolução dita Francesa, também chamada de burguesa, e que tem forte apelo ao continuísmo de privilégios, que no final só mudou de classe, da real para a burguesa. E o povo Ó!
O que me prende a esta luta é justamente os seus desafios. Aparentemente intransponíveis.
Quando começamos este negócio – na época não era “negócio”, era, ou pelo menos era dito, missão – de movimento negro, em 1970, tudo era uma imensa confusão. Ninguém entendia ninguém. E todos tinham razão. Não podia resultar, diga-se, em boa coisa… E não resultou.
Bem, mas pelo menos serviu para ouriçar os mais desatentos, de que esta é a derradeira hora de luta.
Lutar pela nossa herança, outorgada por nossos ancestrais. Lutar por nossos direitos e dignidades. Lutar pelo nosso passado, sofrido, porém de glórias. Glória de outros, não olvide, estes que hoje nos pisam e nos ferem. Ferem a nossa existência humana.
Lutar por nossa religiosidade, esta que é bilenar. Lutar por nossas vidas e o direito de ascendência, enquanto Raça. Se esta não existir fá-la-emos existir, ou não importa. Por que quando interessava ao branco, ela existia. Agora que já não lhes interessa mais, e está até mesmo se tornando perigosa, ah, agora já não existe mais.
E utiliza até mesmo a Ciência para justificar a sua não-existência. Mas, não foi esta mesma Justiça que asseverou, no século XIX, de que ela existia? Hum! Isto é suspeito. A pergunta: por que será que o branco sempre resolve tudo sozinho? Até o que diz respeito somente para nós? A resposta estará no próximo capítulo.
Bem, enquanto eles ficam discutindo nós outros nos beneficiamos das benesses que a existência dela, que ela poderá nos favorecer. Pragmáticos. Se ela de fato não existia agora passará a existir. Afinal! Nós também temos a nossa Ciência! A Ciência ancestral. Que comprovará sua existência. É tudo uma questão de argumentos. Eles somente não argumentam.
O principal problema do negro brasileiro justamente é este. Entre nós? Todo eloqüente, mesmo que somente fale asneira. Frente ao branco? Perde a voz ou fica afônico. E se alguém aparecer para contestar o branco ele fica valente, pro lado do branco.
Quando nós falamos em “volta às origens”, nós não estamos falando de voltar fisicamente à África não – que hoje descobrimos que não é somente um amontoado de choupanas. Nós estamos falando de um pensar negro, de ideologia. Pensar em nossos anseios e necessidades e assimilá-lo ao mundo que está ao nosso redor. É pensar em si como componente de uma raça;
Esta que lutou muito para se apenas sub projetar e sobreviver. Nada mais conseguiu na Diáspora. E que somente poderá desfrutar novamente da experiência – a de viver – se a tiver, isso numa próxima encarnação. A Vida ou a Morte é também pragmática.
Eu, pessoalmente, sou um espécime da rança negra, de origem africana. Negro até a alma e o coração. Eu sou um africano da diáspora. Tenho orgulho de onde sou originário – mesmo que somente espiritualmente -, e eu tenho orgulho de nossa história, mesmo com todas as derrotas. É que naquele momento a moral do inimigo estava em alta… Nossos antepassados pouco podiam fazer. E que se danem as teses absurdas e capciosas dos brancos.
Não quero saber se minha bisavó fez “amor” – é que quando é com negra eles falam outra coisa – com o Sinhô. Isto é problema somente dela… E dele obviamente. Não me cansarei de exclamar: “Nós negros entramos à nossa revelia nesta história absurda e estúpida de civilização ocidental” Porra! É dose pra leão. E ainda dizem que é preciso estudar e ser inteligente!
Quando eu ia nascer, no Orum, Olorum me perguntou: “Meu filho! Você quer ser, lá no Ayé, bonito ou inteligente”. Ao que não titubeei em respostar: “Os dois”. Olorum balançou a Sua Sagrada Cabeça (Ori), e Ele deu aquele seu tradicional Sorrisinho Maroto com o seu Canto da Sagrada Boca. Como quem diz, “Não tem jeito mesmo!”. Mas também foi pronto, e também taxativo: “O dois não pode. Só um”. E eu, desapontado, me rendi: “Tá bem. Eu quero ser inteligente”. Daí este negão bronco, turro e desengonçado que Suas Senhorias repudiam. Só por que eu sou inteligente! E não bonito.
Mas, voltando à ONU! Que era apenas mais um blefe do branco de origem européia, isto, já há tempos, que nós sabemos. Nós que passamos pelos tempos de Guerra da Coréia, Camboja, Vietnam e as lutas de libertação dos paises africanos, ah, nós sabemos.
Nós sabemos de sua falácia. Que quando é pra defender paises pobres e periféricos branqueia. É, nós sabemos. Agora, quando é para defender o rico… Porquanto, dispensemos discursos. Vamos a pratica: o Brasil nos deve, portanto terá que nos pagar. Quanto? Bem, estamos, ainda, fazendo as contas. Quando? Esperamos que em muito breve.
O Haiti foi o primeiro país a se libertar da colonização e seus escravos se auto-libertarem da escravidão:
“(…) Preocupados devido ao evento revolucionário ocorrido no Haiti em 1791, quando os negros escravizados levantaram-se contra os seus” Senhores franceses, o que levou ao fim da escravidão em 1794. Em 1801, após a revolta, Loussaint D’Louverture, filho de escravos, tornou-se o primeiro presidente do Haiti’.
Pouco depois Jean Jacques Dessaline proclamou-se imperador haitiano, em 1804, após expulsar os franceses – e dar um pau e pôr pra correr o exército de Napoleão -“, nós, do crenja, publicávamos em 1994 em panfleto, quando logo após a efetivação do 1º Seminário Sobre o Genocídio do Negro Brasileiro, na Câmara Municipal de São Paulo, em abril daquele mesmo ano, este promovido por nós, sob a autorização do vereador, à época, Vital Nolasco. E daí disso tudo a origem da “maldição” haitiana.
Agora chega-nos a notícia! Além de cometer genocídio as Forças Armadas brasileiras estão estuprando as mulheres negras haitianas/ Isto está certo? Ou legal! Não deve pelo menos ser apurado? Aqui dentro elas são, junto com outros setores, modelos da moral elevada e da Segurança Nacional. Lá fora “estupradores”! – Isso se aqui eles também não o são! Bem, com a palavra as mulheres negras brasileiras, que não nos contam nada. Também! Contar pra quem? Mas eles, os seus “amantes brancos” o contam.
Está aí expressada acima o por que o povo haitiano é tão veementemente detestado e execrado pelas classes dominantes brancas e pelo resto do mundo. É, para eles, um mau exemplo. E todos se omitem a seu favor. Até nós, e isso se deve ao fato de nos escondemos sob os mantos espúrios, sujos e malditos da ignorância. E não é somente ali, no Haiti, não. Isso vale para toda a Diáspora Africana no mundo branco. Inclusive aqui no Brasil.
Em 2003, denunciamos à ONU o genocídio do negro brasileiro, pelo Correio, via CEDEX. Nunca recebemos uma resposta formal. No entanto, até 2009 foram feitas, pelo menos, cinco (5) representações tuas para verificar e fazer relatórios. Em todos estes foram asseverados genocídios. O último foi uns representantes africanos, que também não fugiram à regra em seu relatório.
O Senhor Luiz Inácio da Silva, ao invés de mandar o Excelentíssimo Senhor Celso Amorim, que era, aliás, Ministro das relações Exteriores do “nosso” país, este mandou a Ministra Matilde Ribeiro da SEPPIR. Esta não tinha nada que se meter no assunto, pois o caso nada se relacionava com sua Pasta… Mas foi. Alguns justificam que foi por que ela é amiga do Lula.
Outros já dizem que foi por que ela estava ganhando R$ 9.000,00 por mês. Seja por qual for ela foi à ONU e desmentiu o genocídio. Depois, numa tentativa torpe de se autodesculpar parafraseou o célebre Luiz Gama, na sua classe tese de que: ‘Eu acho válido que um escravo mate o seu senhor, devido aos maus tratos que recebem’.
O Congresso Nacional se ouriçou e, diga-se, toda a sociedade. Mas o ‘amigo’ dela disse: “Deixa comigo!” E meses depois ela dançou nos cartões corporativos e entregou o cargo. E foi a única a “deixar” o cargo naquele episódio.
Mesmo que não sendo somente ela quem o usou “indevidamente”. Isto é que é se ser “Negro de Alma Branca”.
São Paulo, 8 de janeiro de 2011.
PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELA IMEDIATA DESOCUPAÇÃO DO HAITI!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATUA NEGRA NAS AMÉRICAS!

Neninho de Obalúwáiyé