S. Paulo – O Conselho Superior do Ministério Público do Estado de S. Paulo dará a última palavra sobre a representação da ONG ABC sem Racismo, que pediu a abertura de investigações contra o treinador do Santos Futebol Clube, Wanderlei Luxemburgo por declarações de conteúdo supostamente racista.
O treinador fez declarações à Imprensa em abril, quando do episódio envolvendo o jogador Antonio Carlos, do Juventude, de Caxias do Sul – punido com 120 dias de suspensão – pela prática de racismo numa partida contra o Grêmio, que costuma chamar os jogadores negros das equipes que treina de “picolés de asfalto”.
A ONG entendeu que as declarações de Luxemburgo são depreciativas à população negra e que ao fazê-las alegando que tentava minimizar o episódio de racismo envolvendo o atleta do Caxias, o técnico do Santos ofendeu a população negra brasileira. Além da punição, Antonio Carlos responde a inquérito instaurado pelo Ministério Público de Caxias do Sul.
O Ministério Público, em Santos, abriu procedimento investigatório no cível e no criminal, Luxemburgo foi ouvido, confirmou as declarações, porém, o promotor Rogério Pereira da Luz Ferreira, 20º Promotor de Justiça de Santos considerou a prática do técnico de chamar negros de “picolés de asfalto” fato normal. “O fato não constitui qualquer infração penal. A conduta é atípica”, despachou.
O promotor Eduardo Antonio Taves Romero, da 14ª Promotoria de Justiça de Santos, incumbido de apurar eventual existência de crime na esfera cível, também achou tudo normal e mandou arquivar o caso.
Agora, caberá ao órgão superior do Ministério Público do Estado se manifestar, confirmando o arquivamento ou determinando a instauração de inquérito para apurar a existência de crime nas declarações e a responsabilidade do treinador na área cível.
No ofício encaminhado a ONG, o promotor Taves Romero comunica a decisão e junta o expediente ao Conselho Superior pedindo a homologação da decisão.

Da Redacao