Dez anos  de Afropress, quem diria, a criança com olhar "afro-étnico" conseguiu vingar no Brasil. Um pingo de café preto no balde de leite branco na paisagem da mídia brasileira foi a Afropress berrando seu grito de "Griot Velho" já no nascituro.

Eu vivia na Alemanha quando a Afropress, ainda engatinhando nas ondas da internet, sofreu violentos ataques de "hackeiros" neonazistas que tentavam eliminar suas páginas.

Como sempre a tal da "supremacia branca" percebe antes dos negros, o poder que os meios de comunicação têm no processo de luta do Povo Negro Brasileiro. Atacaram com todas as forças, postando até a cara de Hitler na "front page" da Afropress.

Com Ras Adauto, em Berlim, e eu, em Hamburgo, criamos com a Rede Rádio Mamaterra e  Mamapress.org, uma retaguarda cibernética para a Afropress na Europa.

Ficamos conhecidos na época, Ras Adauto e eu com Ortrun Gutke, a voz alemã da Radio Mamaterra, como a " Falange Negra Alemã do Movimento Negro Brasileiro em apoio à Afropress.

Mas nem tudo são flores em tempos de cólera. Desacostumados com a crítica negra, a paisagem "democrática branca" e muita gente do movimento negro não sacou a grandeza e generosidade deste trabalho, e passou a ver o fundador da Afropress, o jornalista Dojival Vieira, como inimigo incômodo a botar o dedo na ferida.

Valeu a insistência e hoje brota por todos os cantos das redes sociais, uma mídia negra com os mesmos princípios da autonomia e defesa do contraditório pelos quais a Afropress sempre se pautou.

É hora de todos os negros e negras do Brasil reconhecerem o papel da Afropress e da "imprensa" negra brasileira. Não é um papo de se gostar ou não se gostar, e sim uma conversa de garantirmos a autonomia e a prluralidade da Voz Negra no Brasil. Como tá na moda: doa a quem doer!

Marcos Romão