O Movimento Negro Unificado (MNU), organização que é referência do Movimento Negro no Brasil, desde 1.978, os seus dirigentes qualificados e sérios, não podem se ver envolvidos, numa tiroteio, de quem resolveu transformar um debate político sério e de idéias – sobre temas como o Congresso de Negros e Negras, Estatuto da Igualdade Racial e o PL 73/99, que cria Cotas no acesso ao ensino superior – numa querela pessoal, numa troca infindável de insultos que mais lembram brigas de rua, em que grupos oponentes em frente à escola primária disputam quem “cospe mais longe”.
Nós, da Afropress, também “pagamos um boi para não entrar numa briga, mas estando nela, pagamos uma boiada para não sair”. Há dois anos enfrentamos com denodo e coragem, os ataques sistemáticos a este veículo, feitos por bandos racistas, incluindo as ameaças de morte aos seus jornalistas, todas devidamente documentadas e objeto de apuração por parte das Polícias Civil de S. Paulo e Federal.
Mas, como se pode ver, a nossa “briga” é outra. É contra os racistas e seus aliados que nos batemos. Não é contra irmãos e irmãs que, à despeito de pensarem diferente, têm a mesmíssima pele – e não é a de lobo: é de negros e negras que sofrem, e sempre sofreram as humilhações e os sofrimentos que nos são impostos pelo racismo. O debate que fazemos entre irmãos, por mais duro que seja, é de idéias. Jamais contra pessoas.
Num e noutro caso, porém, nossa posição se manteve e se manterá inabalável: não arredamos, nem jamais arredaremos pé de fazer jornalismo sério, com foco na temática étnico-racial brasileira, no espírito do Plano de Comunicação aprovado pela Conferência Mundial contra o Racismo em Durban, independente de partidos e de governos, e comprometido com o pluralismo de idéias. Nossa linha editorial – de absoluta independência – não se abala com ameaças, venham de onde vierem, partam de onde partirem.
É revelador, contudo, que nunca tenhamos tido em nossa defesa e do veículo contra os racistas, o arsenal de bravatas e os arroubos de valentia, agora utilizados abusivamente contra nós por parte de quem nos ataca. Nossa solidariedade – que não é pequena – veio sempre de todos os que sabem a importância da comunicação como instrumento estratégico de combate ao racismo e de um veículo que se propõe a dar visibilidade àquilo que a mídia – praticante contumaz de racismo institucional – cotidianamente esconde.
Em respeito aos seus leitores e colaboradores, a Afropress não responderá mais a nenhum ataque deste senhor. Este espaço existe para levar informação de qualidade, provocar a reflexão e a troca de idéias entre as pessoas – negras ou não negras – comprometidas com a construção de um Brasil Sem Racismo, justo e solidário. Não se presta à fórum para a troca de insultos.
Toda vez que os ataques extrapolarem para o terreno da injúria, da difamação e da calúnia, como no caso em questão, – bens protegidos pelo nosso precário e racista Estado de Direito – terão a nossa resposta firme e pronta. Não transigimos: buscaremos os meios adequados na Justiça para salvaguardar valores que só quem os têm e cultiva, sabe como são preciosos.
Estamos muito ocupados em nosso trabalho sério e dedicado que, há dois anos, diariamente leva informação ao povo negro e a sociedade brasileira sobre os efeitos nefastos do racismo e da discriminação. Nosso tempo é, por demais, precioso. E temos muito o que fazer.
Os que, porventura, tenham críticas e sugestões para que melhoremos, cada vez mais, somos gratos e estamos de braços abertos. Os que, no entanto, se sentem incomodados com a nossa presença e atuação, é simples: mudem o mundo – em tradução livre: façam melhor!